Jesus Cristo filho de Maria

20 Abril 2016
Autor:  

بسم الله الرحمن الرحيم 
Em nome de Allah, O clemente o Misericordioso

O Jesus Cristo filho de Maria o mensageiro de Deus, não é de descendência Davídica:

Não há parentesco de Jesus com Davi, fato este negado pelo próprio Jesus nos Evangelhos sinóticos:‘E, falando Jesus dizia, ensinando no templo: como dizem os escribas que o Messias é filho de Davi? O próprio Davi disse pelo espirito santo: o Senhor disse ao meu senhor: Assenta-te a minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Pois, se Davi mesmo lhe chama senhor, como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia de boa vontade. (Marcos 12.35.37).

Jesus Filho de Maria mensageiro de Deus

A nobre e pura genealogia

 

É impossível que o Alcorão tenha sido feito por alguém que não Allah/Deus. Outrossim é a confirmação das escrituras anteriores a ele é a elucidação do Livro indubitável do Senhor dos Mundos. A10.37.

Porém se estás em dúvida sobre o (conteúdo do) que te temos revelado, consulta aqueles que leram o Livro (a Bíblia) antes de ti. A 10 94

Até em momentos atuais existe as divergências de alguns pensadores sobre genealogia do Profeta Issa – Jesus, filho de Maria mensageiro de Alla / Deus.

  • O Jesus Cristo não é Deus O Criador, é nem é filho gerado por Deus.

Os três caminhos traçados pelo Deus, que condiciona a salvação da humanidade; o Judaísmo, o Cristianismo e o Islam, todas pregam a unicidade de Deus, Louvado seja!

Qualquer pensamento de qualquer espécie que indique a trindade, em síntese, a ideia da Trindade isto é, Deus Pai, Jesus, Filho, e Espírito Santo, como o ser que conduz os filhos dos humanos; essas as alegações não foram ditas por Jesus Cristo filho de Maria, e nem por outro Profeta que o precedeu.

O Profeta Moisés (a.s.) acentuou este entendimento num capítulo da Tora chamado Al-Shima, ou a doutrina judaica da fé conforme o dizer: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR”.97 Passados aproximadamente 1500 anos, isto foi repetido literalmente pelo o Profeta Jesus Cristo filho de Maria (a.s.): “... a primeira recomendação entre todas, foi: “Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”.98 Após 600 anos da morte do Profeta Jesus Cristo filho de Maria (a.s.), o Profeta Muhammad, ( saw) foi enviado com a mesma mensagem: “Vosso Deus é Um só. “Não há mais divindade além d’Ele”. 99

No Evangelho de Lucas 3: 23/38 encontra-se registrados as seguintes afirmações: “Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Eli; Eli, filho de Matate, Matate, filho de Levi, Levi, filho de Melqui, este, filho de Janai, filho de José; José, filho de Matatias. Prossegue nominando os antecedentes de Jesus (a.s.), até chegar a Cainã, filho de Enos, Enos, filho de Sete, e este, filho de Adão, filho de Deus.”

Ao ler os livros sagrados fielmente, a respeitar seus ditos honestamente, e concordar com os conteúdos dos registros de forma justa, evidentemente abrir-se-á um horizonte que Lucas atribuiu este título (filho) a mais de 75 homens e entre eles está Adão (a.s.), pai da humanidade. Isto torna todo adâmico merecedor deste título. A apoderar que  os seres humanos constituírem distintos órgãos de um mesmo corpo. Muito além da biologia ou psicologia, a

compreensão dos seres humanos requer uma visão filosófico e reflexivo do homem e sua história. Uma vez que Deus, criou o homem com sua própria mão e o fez todos imagens semelhantes e nele soprou seu Espirito, a humanidade não é se não única entidade. 

Por que então, uma parte dos quem Livros Sagrados, insistem nesta denominação específica de Jesus filho de Maria (a.s.) fazendo da mesma algo peculiar de Jesus filho de Maria, mensageiro de Deus, (a.s.) e de ninguém mais e, ainda consideram isto como princípio para crença, ou seja, filho de Deus, que expiará os pecados?  O curioso esta que; a Bíblia Sagrada não atribui a expressão “Filho de Deus” apenas ao Profeta ( Issa) Jesus Cristo Filhos de Maria (a.s.), existem várias passagens  que atribuem o título de filhos de Deus. Que requer a necessidade de saber literalmente o sentido do significado filho de Deus dentro da Bíblia Sagrada.

Esta é uma questão que se evidencia melhor quando revemos alguns textos neste domínio. Entre eles, o texto proveniente do Rei Davi o profeta (a.s.). Deus, Louvado seja, diz a Davi: “Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei.” Isso ocorreu quando ficou claro que Davi (a.s.) foi o único que tomou a senda reta entre os livres.

Quando Davi (a.s.) entregou-se totalmente a Deus passou, então, a merecer esta distinção. Assim sendo, é aceitável o seguinte: fulano é filho deste mundo, ou seja, ele está apegado a este mundo esquecendo-se do outro mundo, o mundo não terreno. Ou, ainda: fulano é filho do conhecimento. Com isto pretende-se dizer que ele gosta do conhecimento, é apegado ao conhecimento de modo acentuado; esforçou-se para obtenção do mesmo com todo o esforço.

Por isso, o sentido de “fulano é filho de Deus” é o esforço para obtenção do contentamento de Deus, é o esforço para adorá-Lo, Altíssimo seja!

A Trindade cristã, na realidade, subsiste sob este princípio 56 Os cristãos não são os únicos a acreditarem que Deus tem um filho; os judeus também o faziam. Deus, repetindo o que eles diziam, afirmou: “Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus” Os árabes politeístas amargaram o mesmo; consideravam que os anjos eram filhas de Deus. Por isso, diz, Louvado e Altíssimo seja: “E atribuem filhas a Deus! Glorificado seja!”.

Para esclarecer esta forma equivocada entre os pensadores de caracteres religioso, ateísta e politeísta, recorramos ao Evangelho e ao Alcorão.  A expressão “filho”, no Evangelho É evidente que o Evangelho não utiliza a expressão “filho” em seu sentido real. Esta expressão não pertence a Jesus filho de Maria(a.s.); refiro-me à expressão “filho legitimo de Deus”. Isto foi mencionado em outro lugar que não no Livro dos cristãos. 56. Isto é: subsiste sob o princípio que considera Jesus como filho de Deus, Louvado seja. (Alcorão Sagrado, 9:30). (Alcorão Sagrado, (16:57) Por exemplo, apareceu:

 

Salmos – 2:5 Esta noção está presente no Bíblia Sagrada, em outro lugar, onde afirma: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”.64 Tem-se no Evangelho de João uma explanação mais clara que não deixa margem para discussão neste assunto. Afirma: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome”.65 Com isto, resulta que o intencionado no Evangelho quanto à natureza de Jesus (a.s.) como filho de Deus, é que ele é obediente a Deus, segue Suas determinações do mesmo modo que os outros Profetas e Mensageiros virtuosos.

Não significa que Deus o gerou para que haja uma relação filial e paternal como outros pensadores alegam, rendendo-se com isso na armadilha do politeísmo. Com isso, apontamos uma alteração clara que o Evangelho recebeu.

Por exemplo: Jesus (a.s.) pergunta aos discípulos quem imaginam que ele seja? E para confirmação da filiação de Jesus, os pensadores da teoria “ Jesus Cristo filho de Deus” recorrem a um versículo de abertura (do capítulo) de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo ”.66 E o assombroso é que nesta mesma situação, em outro Evangelho, Pedro diz: “Tu és o Cristo”.67 64. (Epístola de Paulo aos Romanos, cap.8, 14).( 65. João cap. 1,12). 66. Mateus, cap. 16, 16. 67. Marcos, cap. 8. 29.

Poucas palavras foram acrescidas no Evangelho de Mateus, se comparadas com o Evangelho de Marcos, porém, houve uma alteração do significado de todas as palavras. É provável que o exagero dos fundadores da teoria “Jesus filho de Deus” com o Profeta de Deus (a.s.) é seu nascimento sem pai, esquecendo que este milagre é apenas meio milagre. Adão (a.s.) foi criado por Deus sem pai e mãe. A Eva foi criada da costela de Adão, conforme as teorias, porém não existem vestígios que apontam ter mãe e que se conclui ter país através da costela do Adão e sem mãe.    Disse-lhe: sê! Então, ficou.

O Alcorão afirma: “O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele criou do pó; então lhe disse: Seja! e foi.” Se o nascimento de Jesus (a.s.), sem pai, exige esta situação impossível do ponto de vista da intelecção, então, Adão (a.s.) tem prioridade com relação a Jesus (a.s.) nesta situação. Portanto, este título (Filho de Deus), não é senão um termo cujo significado é ater-se às ordens de Deus e as Suas proibições, igual a outros termos mencionados pelo Evangelho referindo-se a outras pessoas.

Dentre estas, está o termo “aquele que nasceu de novo”. Seu significado é “aquele que se arrependeu; que é penitente”. Não há dúvida que alguém, seja cristão ou não, entenda que o Evangelho, aqui, não quer dizer com a expressão “aquele que nasceu de novo”, é aquele que voltará ao ventre de sua mãe e nascerá de novo. Mas, o Evangelho quer dizer com isto que, em função de seu arrependimento, apagam-se todas suas culpas e fica como que nasceu de novo. Iguais a estes termos há muitos na Bíblia Sagrada que devem ser pesquisados!

Argumentos do Alcorão Sobre a Negação da Paternidade de Deus

 

O Alcorão Sagrado mostrou o erro da consideração de Jesus como filho de Deus, através de várias provas, esclarecendo o tema através de duas vias. Primeiro: através das provas científicas que mostram a impossibilidade absoluta que Deus tenha filho mesmo que este filho seja Jesus (a.s.) ou outro.

Segundo: pela via do esclarecimento sobre o nascimento do Messias através de sua mãe e a sua vida humana, a qual mostra a rejeição de sua natureza como filho de Deus. Eis as provas quanto à primeira via em detalhes:

Primeira prova: afirma Louvado seja: “Originador dos céus e da terra! Como poderia ter prole, quando nunca teve esposa, e foi Ele Que criou tudo o que existe, e é Onisciente?”69 Este digno versículo apontou duas provas sobre a impossibilidade de Deus ter um filho. 69. (Alcorão Sagrado, 6:101)

Segunda prova: “O Qual possui o reino dos céus e da terra. Não teve filho algum, nem tampouco teve parceiro algum no reinado. E criou todas as coisas, e deu-lhes a devida proporção.”. (Alcorão Sagrado, 25:2)

No versículo acima há uma única prova a respeito da negação da paternidade de Deus, ou seja: a questão da soberania constitutiva de Deus, Louvado seja, e Sua Divindade Absoluta, em relação ao que Ele criou.

Eis a explicação disto: há duas espécies de soberania: uma, é a soberania relativa que brota a partir de um acordo social; e isto é comum entre os seres humanos. E, outra, é a soberania constituída a partir da própria natureza do soberano.

Assim, pois, se Deus, Louvado seja, é Soberano de todas as coisas, não é possível que imaginemos um filho para Ele porque, caso tenha um filho, não seria progenitor deste – como mostramos nas provas anteriores – e isto exige a não soberania sobre sua criação. Mostramos que, por Sua Natureza, Deus é Soberano sobre todas as coisas e Criador de todas as coisas. Sobre esta prova foi apontado o versículo “O Qual possui o reino dos céus e da terra. Não teve filho algum”. E, como foi mencionado no final do versículo, há uma causa para esta soberania e seu fundamento, ou seja, a criação; ao se afirmar “criou todas as coisas”.

A terceira prova: “Dizem (os cristãos): Deus gerou um filho! Glorificado seja! Pois a Deus pertence tudo quanto existe nos céus e na terra, e tudo está consagrado a Ele. Ele é o Originador dos céus e da terra e, quando decreta algo, basta-Lhe dizer: Seja! e é”. Estes dois versículos indicam a negação do filho a partir de três provas: (Alcorão Sagrado, 2:116-117)

1 - O significado de “filho” é a separação de uma parte do pai e a consolidação desta parte no útero da mãe. Isto exige de Deus a formação de um corpo, sujeito às características corporais, tais como, o tempo, a divisibilidade em partes, a constituição através de partes, enquanto Deus, Louvado seja, está isento dessas questões. O versículo apontou sobre isto por intermédio da palavra “Louvado”.

2 - A independência de Deus é absoluta; Sua Divindade é ampla e abrangente, todos os seres existentes subsistem Nele e necessitam Dele; não prescindem Dele. Se tivesse filho, seria necessário, sem dúvida, que o filho fosse semelhante, comparável a Ele em todos Seus atributos. Por exemplo: a independência e o prescindir dos outros ocorre quando Sua natureza, Louvado  se confirma como Soberana absoluta dos céus e da terra e de tudo que há entre eles. Tudo isso subsiste por Ele, segue-O, necessita Dele, obedece à Sua ordem; é obediente a Seu querer, sem disputa. Não há aqui um existente que seja independente a não ser Ele. O Messias (a.s.) declarou: “Eu nada posso fazer de mim mesmo”.

Sobre esta prova, Deus, Louvado seja, disse: “Pois a Deus pertence tudo quanto existe nos céus e na terra, e tudo está consagrado a Ele”.

 João – 530 73. (Alcorão Sagrado, 2:116) 3

Não é necessário que Deus tenha filho porque a exigência de filhos, ou é para continuidade da descendência e da linhagem, ou para se auxiliar neles na velhice. Não é possível imaginar algum desses elementos no Reino Deus, Louvado seja. Sobre isto, vejamos as palavras de Deus, Louvado seja: “Ele é o Originador dos céus e da terra e, quando decreta algo, basta-Lhe dizer: Seja! e será”. Qual é a necessidade de um filho para Deus se Ele é o Criador de todas as coisas? Num outro versículo do Alcorão ficou enfatizado o prescindir Divino do filho: “Dizem: Deus teve um filho! Glorificado seja Deus; Ele é Opulento; Seu é tudo quanto há nos céus e na terra!”

Assim, o Alcorão Sagrado refuta a teoria de que Deus tenha filhos ou filhas; esta teoria já existia nas religiões antigas, tais como: a judaica, a cristã, o zoroastrismo, o hinduísmo e entre os politeístas. Os cristãos atribuíram a filiação de Jesus a Deus porque ele nasceu sem pai.

Foi dito ao Profeta Muhammad (s.aw): já viu alguém sem pai? Então, não há outro pai para Jesus a não ser Deus. Deus respondeu no Alcorão sobre isto: “O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele criou do pó; então lhe disse: Seja! e foi”. (Alcorão Sagrado, (10:68). (Alcorão Sagrado, (3:59) O exemplo de Jesus não tendo pai, é o mesmo exemplo de Adão que foi criado por Deus, sem pai e mãe.

Então, o exemplo de Jesus não é mais extraordinário do que o exemplo de Adão. Como, então, negaram isto e seguiram a crença de que Jesus é filho de Deus? Resumo do que foi dito anteriormente Resumindo o que foi dito anteriormente: para negar que Deus tenha filho, o Alcorão apoia-se nas seguintes provas:

  • – Ele,( Deus O Criador) Louvado, seja não tem nenhuma companheira para que através dela tenha um filho.
  • Ele ( Deus O Criador) é o Altíssimo, é Criador de todas as coisas. Não se tem um filho por criação, mas por separação de uma parte do pai e, portanto, isto é incompatível com O Criador de todas as coisas.
  • – É Soberano sobre todas as coisas; Sua soberania brota da criação. No entanto, Cristo sendo Seu filho, Louvado seja, implica na negação da criação de Deus e Sua Soberania e, assim, não haveria, então, a Soberania ampla de Deus.
  • – Deus, Louvado seja, é isento das determinações do corpo. Considerar Cristo como filho exige que a natureza de Deus seja corpórea e substrato das determinações corpóreas, pois, Cristo como filho de Deus, Louvado seja, significa a separação de uma parte de Deus e isto exige que Sua natureza seja corpórea.
  • – Todas as coisas subsistem em Deus, não há independência igual a Sua. Ao se supor que Deus tenha um filho, Louvado seja, Sua independência seria igual à independência do pai de modo que o filho seja equivalente ao pai.
  • – Deus Altíssimo prescinde de um filho, não necessita do filho.
  • - A natureza de Cristo sem pai não é o mais extraordinário do que a natureza de Adão que existiu, absolutamente, sem os pais.

A segunda via do Alcorão para a negação da filiação, especificamente de Jesus, é o esclarecimento da vida de Cristo de modo claro em diversas (suratas do Alcorão Sagrado) e, especialmente, no capítulo chamado “Mariam” (Maria) para que não haja nenhuma dúvida ou injustiça quanto à característica humana de Jesus, que a paz seja sobre ele.

Algo do que foi dito a respeito, É estranho que os cristãos de Jesus Disseram que Deus é seu pai E disseram que o filho de Deus é Deus E, por sua ignorância, o adoraram E disseram algo mais insólito que isto Pois, disseram que o crucificaram Quisera saber; mas não sei - Alcorão.

Após ficar esclarecido que Um filho é gerado a partir de uma parte do pai (o espermatozoide), que se aloja no útero da mãe, unindo-se com uma parte dela chamada óvulo. Decorrido certo tempo após a união das duas partes ocorre o parto. Assim, então, um procedimento igual a este exige, sem dúvida, a participação da esposa, ou, de acordo com o Alcorão, de uma companheira. Todos sabem que Deus, Louvado seja não tem companheira como afirma o Alcorão: “nunca teve esposa”.

Se ter um filho é como afirmamos acima, então, Deus não pode ter um filho que seja gerado e parido, Altíssimo seja; seria semelhante a Deus e Seu parceiro pois, o progenitor não é criador do filho mas, o filho é parte que se separou do progenitor; constituiu-se e cresceu fora dele, porquanto Deus é Criador de todas as coisas sem intermediação, como diz o versículo acima: “Que criou tudo o que existe”. Afirma Louvado seja, num dos versículos do Alcorão, “Originador dos céus e da terra!”, no sentido de que faz existir e é Criador dos céus e da terra e de tudo o que há neles.

 

  • O Jesus Cristo filho de Maria o mensageiro de Deus, não é de descendência Davídica:

Não há parentesco de Jesus com Davi, fato este negado pelo próprio Jesus nos Evangelhos sinóticos:

‘E, falando Jesus dizia, ensinando no templo: como dizem os escribas que o Messias é filho de Davi? O próprio Davi disse pelo espirito santo: o Senhor disse ao meu senhor: Assenta-te a minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Pois, se Davi mesmo lhe chama senhor, como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia de boa vontade. (Marcos 12.35.37).

Jesus Cristo é filho da Maria, é o Messias e como ele descende de uma família sacerdotal então sabemos que a sua função messiânica seria intercessora, ou seja, ele estaria sobre Israel e o mundo como Wali (Protetor, padroeiro), como se exige do trabalho sacerdotal.

  • Sua família é amais prefeita de toda criação.
  • Sua mãe é a mais pura das mulheres.

 

O NASCIMENTO DE MARIA MAE DE JESUS (a.s.)

Constam da história e das pesquisas islâmicas, que Ana e Isabel eram duas irmãs. A primeira casou-se com Imrán e a outra com Zacarias, o Profeta (a.s.).

Ana, então, é avó do Messias (a.s.). Apesar de a esposa de Imrán ter sido estéril, certo dia, ela ouviu seu marido dizer-lhe que Deus os agraciaria com um filho que curaria o cego de nascença, livraria o leproso de sua lepra e ressuscitaria os mortos, com a anuência de Deus, e seria Profeta dos filhos de Israel. Tendo em vista que ela acreditava no poder de Deus para que isso ocorresse, pediu a Deus para que lhe agraciasse com um filho, e como agradecimento a Deus por esta graça, prometeu que seu filho seria encarregado de servir ao Templo Sagrado, sem saber que carregava em seu ventre a mãe do filho prometido, isto é, Maria (a.s.).

O Alcorão afirma: “Recorda-te de quando a mulher de Imran, disse: Ó Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo”.28 No entanto, quando deu à luz e viu que era um bebê do sexo feminino, sentiu-se envergonhada diante 29. (Alcorão Sagrado, 3:35) de seu Senhor porque a consagração aos serviços do Templo cabia somente aos varões. Diante disto, ela recorreu a Deus para justificar a sua promessa; disse: “E quando concebeu, disse: Ó Senhor meu, concebi uma menina – e Deus sabia muito bem o que ela tinha concebido, e um macho não é o mesmo que uma fêmea” 29 pois, a menina não pode servir ao Templo por questões específicas e próprias das mulheres. E, ainda, disse: ... “Eis que a chamo Maria; ponho-a, bem como à sua descendência, sob a Tua proteção, contra o maldito Satanás.”30 Apesar de ser menina e para cumprir sua promessa, a mãe de Maria, entregou-a aos responsáveis pelo Templo Sagrado. “Seu Senhor a aceitou benevolentemente” 31 . Mesmo sendo do sexo feminino, e como prova de sua aceitação para tal tarefa, ela não menstruou durante o tempo em que serviu ao Templo Sagrado. “... e a educou esmeradamente”

Maria (a.s.) ficou órfã de pai e mãe ainda pequena. Houve discussão entre os sacerdotes do Templo sobre quem ficaria com a tutela de Maria. Zacarias (a.s.) disse que teria prioridade sobre sua tutela porque a tia de Maria estava na casa dele (Zacarias). Mesmo após muita discussão, não houve concordância entre eles. Chegaram, porém, à seguinte solução: cada um 29. (Alcorão Sagrado, 3:36) 30. (Alcorão Sagrado, 3:36) 31. (Alcorão Sagrado, 3:37). Jogaria uma varinha no rio Jordão. A varinha daquele que ficar presa a alguma coisa e não seguir o curso do rio seria o tutor de Maria (a.s.). Disse Deus, o Altíssimo: “... Tu não estavas presente com eles (os judeus) quando, com varinhas, tiravam a sorte para decidir quem se encarregaria de Maria; tampouco estavas presente quando estavam a discutir entre si”, (Alcorão Sagrado, III, 44). Ao jogarem seus calamos, o escolhido foi Zacarias. “... confiando-a a Zacarias. Cada vez que Zacarias a visitava, no oratório, encontrava-a provida de alimentos, e lhe perguntava: Ó Maria, de onde te vem isso? Ela respondia: De Deus! porque Deus agracia sem medida a quem Lhe apraz”.32 32. (Alcorão Sagrado, (3:35-37)

 

ZACARIAS E YAHIÁ/ JOÃO BATISTA

A esposa de Zacarias (a.s.) era estéril igual à mãe de Maria (a.s.). O milagre de Maria (a.s.) foi um incentivo para Zacarias almejar um filho na velhice. Assim como Deus agraciou Maria com o fruto tenro numa idade não comum, é possível, então, que Deus o agracie na velhice com o amor da paternidade. Para isso, Zacarias suplicou a Deus Altíssimo pedindo que o agraciasse com um filho puro; satisfeito em Deus a fim de continuar a linhagem de Jacó. O Alcorão Sagrado fez menção a isto com os dizeres do Altíssimo. Vejamos: “Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência, porque és Aquele Que atende os rogos! Os anjos o chamaram, enquanto rezava no oratório, dizendo-lhe: Deus te anuncia o nascimento de João, que corroborará o Verbo de Deus, será nobre, casto e um dos profetas virtuosos. Disse: Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se a velhice me alcançou e minha mulher é estéril? Disse-lhe (o anjo): Assim será. Deus faz o que Lhe apraz”.33 E, ainda, no Alcorão, no capítulo intitulado “Maria”, o Altíssimo afirma: “Eis o relato da misericórdia de teu Senhor para com o Seu servo, Zacarias. Ao 33. (Alcorão Sagrado, 3:38-40) invocar, intimamente, seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, os meus ossos estão debilitados, o meu cabelo embranqueceu, mas nunca fui desventurado em minhas súplicas a Ti, ó Senhor meu! Em verdade, temo pelo que farão os meus parentes, depois da minha morte, visto que minha mulher é estéril. Agracia-me, de Tua parte, com um sucessor! Que represente a mim e à família de Jacó; e faze dele, ó meu Senhor, uma pessoa que Te satisfaça! Ó Zacarias, enunciamos-te o nascimento de uma criança, cujo nome será Yahia (João). Nunca denominamos, assim, ninguém, antes dele. Disse (Zacarias): Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, uma vez que minha mulher é estéril e eu cheguei à senilidade? Respondeu-lhe: Assim será! Disse teu Senhor: Isso Me é fácil, visto que te criei antes mesmo de nada seres. Suplicou: Ó Senhor meu, aponta-me um sinal! Disse-lhe: Teu sinal consistirá em que não poderás falar com ninguém durante três noites. Saiu do templo e, dirigindo-se ao seu povo, indicou-lhes, por sinais, que glorificassem Deus, de manhã e à tarde”.34 Finalmente, Zacarias foi agraciado com um filho, já nascido puro, que Deus o denominou Yahia antes de nascer e, realmente, tornou-se Yahia (a.s.) um dos profetas de Deus, mencionado no Alcorão, como se pode constatar: “(Foi dito): Ó Yahia, observa fervorosamente o Livro! E o agraciamos, na Infância, com a sabedoria, assim como o agraciamos com a piedade (por todas as criaturas) 34. (Alcorão Sagrado, 19:2-11) e com a pureza, e foi devoto, e gentil para com seus pais, e jamais foi arrogante ou rebelde. “A paz esteve com ele desde o dia em que nasceu, no dia em que morreu, e estará com ele no dia em que for ressuscitado”.35 Yahia dedicou sua vida à orientação das pessoas à fé e à felicidade. Foi assassinado por um dos reis dos Filhos de Israel extraviado que queria casar-se com a filha de seu irmão, contrariando as leis de Deus. Zacarias se opôs severamente ao rei. Num momento de ilusão e desejo, o rei ordenou o assassinato daquele servo virtuoso.

Se o nascimento de Yahia a partir de um pai de idade avançada e mãe estéril foram insólitos, o nascimento de Jesus a partir da mãe apenas, sem participação de um pai, é mais insólito ainda. (Alcorão Sagrado, (19:12-15)  

 

 O NASCIMENTO DE JESUS FILHO DE MARIA MENSAGEIRO DE ALLAH (a.s.)

  • A pureza da mãe é a condição de seu nascimento
  • O elevado estado de santificação atraiu a potência Angélica
  • A apresentação antropomórfica do Anjo fez Maria buscar refúgio em Deus
  • A calma necessária para fecundação de paz de Jesus

Enquanto Maria (a.s.) - aquela menina que cresceu no Templo de Deus, Altíssimo, que foi educada por um grandioso profeta como Zacarias (a.s.) – num certo dia, estava entretida na adoração a Deus, eis que vem diante de si o arcanjo Gabriel (a.s.) na figura de um ser humano perfeito. Assustada, tentou impedir sua entrada, refugiando-se dele em Deus Altíssimo. O arcanjo Gabriel (a.s.) acalmou-a, dizendo que era enviado por Deus a fim de anunciar-lhe o nascimento de um filho imaculado, puro, que seria um bondoso Profeta. Assim, disse o Altíssimo:

“E menciona a Maria, no Livro, a qual se separou de sua família, indo a um local ao leste. E colocou uma cortina para ocultar-se dela (da família), e lhe enviamos o Nosso Espírito, que lhe apareceu personificado, como um homem perfeito. Disse-lhe ela: Guardo-me de ti no Clemente, se é que temes a Deus.” 36 O Anjo, porém, lhe anunciou: “Explicou-lhe: Sou tão-somente o mensageiro do teu Senhor, para agraciar-te com um filho imaculado.”37 Maria respondeu: “Disse-lhe: Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou e jamais deixei de ser casta? Disse-lhe: Assim será, porque teu Senhor disse: Isso Me é fácil! E faremos disso 36. (Alcorão Sagrado, 3:37) 37. (Alcorão Sagrado, 3:37) um sinal para os homens, e será uma prova de Nossa misericórdia. E foi uma ordem decretada”.38

Maria engravidou esta gravidez incomum foi motivo de comentários por parte daqueles que queriam lhe prejudicar com acusações tendenciosas.

Diante disso, Maria retirou-se do contexto social indo a um local distante a fim de aguardar o nascimento de seu esperado filho. Ao chegar a hora do parto e com dores, Maria (a.s.) retirou-se ao abrigo de uma tamareira seca, no deserto.

Sobre isto o Alcorão afirma: “E quando concebeu, retirou-se, com ele, para um lugar afastado. As dores do parto a constrangeram a refugiar-se junto a uma tamareira”.39 Deu à luz sem ajudante nem auxílio, tendo assim, acumulado dores. As dores da solidão e do parto. A sua pureza ficou evidente para as pessoas quando exclamou: “Oxalá eu tivesse morrido antes disto, ficando completamente esquecida!”.40 No entanto, foi pega de surpresa pelo recém-nascido que, pelo poder de Deus, Altíssimo, disse: “... Não te atormentes, porque teu Senhor fez correr um riacho a teus pés!” 41 Então, brotou uma água doce e ele continuou: “E sacode o tronco da tamareira, de onde cairão sobre ti tâmaras maduras e frescas”.41 38. (Alcorão Sagrado, 19:16-21) 39. (Alcorão Sagrado, 19:22-23) 40. (Alcorão Sagrado, 19:23) 41. (Alcorão Sagrado, 19:35) Isto ocorreu apesar de a tamareira estar seca há algum tempo. “Come, pois, bebe e consola-te; e se vires algum humano, faze-o saber que fizeste um voto de jejum ao Clemente, e que hoje não poderás falar com pessoa alguma”.42

Os milagres e os auxílios invisíveis, um seguido do outro, foram causas para fortificar o coração de Maria (a.s.).

Voltou, então, a seus familiares e ao lugar onde morava, junto com seu filho, com toda tranquilidade. “Regressou ao seu povo levando-o (o filho) nos braços. E lhe disseram: Ó Maria, eis que trouxeste algo extraordinário, ó irmã de Aarão!”43; para eles, foi uma coisa abominável, repudiável. Isto significa que Maria deveria ser igual ao seu irmão, piedoso e bondoso. Mas, afirmou-se, também, o contrário disso, isto é, que Aarão era um homem libertino, o que seria uma ofensa para Maria. “... teu pai jamais foi um homem do mal, nem tua mãe uma (mulher) sem castidade!” 44 Maria nada respondeu. “Ela lhes indicou que interrogassem o menino. Disseram: Como falaremos a uma criança que ainda está no berço?”45 42. (Alcorão Sagrado, 19:26) 43. (Alcorão Sagrado, 19:27) 44. (Alcorão Sagrado, 3:28) 45. (Alcorão Sagrado, 19:29) Nesse momento, Deus, por um milagre, fez a criança falar com clareza, que lhes disse: “Sou o servo de Deus, o Qual me concedeu o Livro e me designou como profeta. Fez-me abençoado, onde quer que eu esteja, e me recomendou a oração e (a paga do) zakat enquanto eu viver. E me fez gentil para com a minha mãe, não permitindo que eu seja arrogante ou rebelde. A paz está comigo, desde o dia em que nasci; estará comigo no dia em que eu morrer, bem como no dia em que eu for ressuscitado!”46

Estes três dias, isto é, do nascimento, da morte e da ressurreição são os mais severos e fortes para o ser humano.

As palavras de Jesus filho de Maria (a.s.) em seu berço deixaram perplexos aqueles que acusaram Maria anteriormente. Ele foi um sinal grandioso que suprimiu as más acusações contra Maria; souberam que essa criança é, com a permissão de Deus, um menino sem pai e que teria elevada posição e grande missão no futuro.

 Veja o que diz o Alcorão: “Este é Jesus, filho de Maria; é a pura verdade, da qual duvidam. É inadmissível que Deus tenha tido um filho. Glorificado seja! Quando decide uma coisa, basta-lhe dizer: Seja!, e é. E Deus é o meu Senhor e o vosso. Adorai-o, pois! Esta é a senda reta!”.47 46. (Alcorão Sagrado, 19:30-33) 47. (Alcorão Sagrado, 19:34-36) 6 –

 

 A MENSAGEM DE CRISTO (A.S.)

O Evangelho48 foi revelado ao próprio Jesus como código para salvação dos extraviados. Jesus (a.s.) anunciou sua Mensagem de forma ampla, suportando as dores e as dificuldades. Expendeu sacrifícios para salvar o povo judeu e eliminar a raiz de seu desencaminhamento.

No entanto, com a vinda de Jesus (a.s.), os chefes dos judeus perceberam que seus míseros interesses seriam prejudicados e também perceberam a perda das posições que amavam. Então, Reuniram-se e se determinara a fazer frente ao avanço de Jesus filho de Maria (a.s.), bem como alimentar o fogo da discórdia contra ele.

Jesus filho de Maria (a.s.) sabia do plano deles, mas, permaneceu forte diante deles como uma montanha, e continuou na orientação das pessoas, guiando e libertando-as dos mitos e do desencaminhamento que se abateram sobre O CÓDICO do Profeta Moisés (Mussa a.s.).

Nessa época, Jesus filho de Maria (a.s.), curava os doentes, com a permissão de Deus, ressuscitava o morto, com a permissão de Deus, para que as pessoas acreditassem que ele é enviado por Deus, o Único; 4 8.

O Evangelho que se encontra nas mãos dos cristãos, uma parte não se trata do verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo filho de Maria (a.s.). Pois Deus o único, não tem associado, nem semelhante.

Disse o Altíssimo: “Então, Deus dirá: Ó Jesus, filho de Maria, recorda-te de Minhas mercês para contigo e para com tua mãe; de quando te fortaleci com o Espírito da Santidade; de quando falavas aos homens, tanto na infância, como na maturidade; de quando te ensinei o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho; de quando, com o Meu beneplácito, plasmaste de barro algo semelhante a um pássaro e assopraste nele, e eis que se transformou, com o Meu beneplácito, em um pássaro vivente; de quando, com o Meu beneplácito, curaste o cego de nascença e o leproso; de quando, com o Meu beneplácito, ressuscitaste os mortos; de quando contive os israelitas, pois quando lhes apresentaste as evidências, os incrédulos, dentre eles, disseram: Isto não é mais do que pura magia!”.49 49. (Alcorão Sagrado, 5:110)

 

SOBRE OS DITOS DO MESSIAS (A.S.)

Narra-se que o nobilíssimo Profeta Muhammad (s.a.a.a.s.) disse: “Os discípulos de Jesus filho de Maria (a.s.) perguntaram a ele (a.s.): Ó Espírito de Deus”! Com quem devemos confabular? Jesus filho de Maria respondeu: Com aqueles que vos lembram da Presença de Deus e acrescentam lógica ao vosso labor, e vos torna desejosos da outra vida em função de Deus.

50 Também, o Emir dos Crentes, Ali Ibn Abi Tálib (a.s.) disse: “Jesus, filho de Maria (a.s.), disse: Bem aventurado aquele cujo silêncio é um pensamento, seu olhar é uma expressão; chora quando peca, e não agride as pessoas nem com a mão nem com a palavra”.

 

 A OBSERVAÇÃO ISLÂMICA REFERENTE A TRINDADE

A crença na trindade apresenta-se como simples e afirma que a divindade forma-se a partir três entidades divinas: o Deus Pai, Jesus, como filho e o Espírito Santo.

O Cristianismo fundamenta-se sobre a pessoa de Jesus Cristo. A religião cristã adquiriu este nome através do nome de Jesus Cristo. As doutrinas cristãs circulam em torno de Jesus Cristo. Os principais feriados cristãos estão relacionados com acontecimentos da vida de Jesus. O símbolo da doutrina cristã é a cruz que evoca Jesus Cristo (a.s.). As orações dos cristãos são dirigidas a Jesus Cristo (a.s.) porque consideram que Deus não pode ser atingido pelas pessoas comuns. De acordo com o que diz o escritor cristão Fritz Raydnor: “A chave da doutrina cristã é que Jesus Cristo, na realidade, é a causa de toda esta doutrina e ele, de modo geral, é quem a preserva”.76

Hoje, muitos cristãos não têm possibilidade de entender a existência de Deus sem a intermediação de Jesus Cristo diante de Deus e, ainda, o autor citado antes, afirma: “O Cristianismo é a ligação com 27. Como você pode ser cristão num mundo que não é cristão, p. 176. apenas uma pessoa, que é Jesus Cristo” Muitos cristãos têm esta mesma posição.

Não conhecem Deus a não ser por intermédio de Jesus Cristo.

Os cristãos dizem que adoram a Deus porque, ao mesmo tempo, Jesus Cristo está em Deus. Crêem que Jesus - além de Deus – é também divindade.

Então, o Cristianismo é uma religião que tem dois deuses, ou melhor, três, e não apenas um Deus. Toda religião que tem mais de um Deus não é uma religião monoteísta. Como isto aconteceu? Como a religião cristã transformou um Mensageiro humano enviado por Deus e o considerou o próprio Deus? Como a teoria da trindade adveio ao Cristianismo?

A respeito disto, o professor Farid Wajdi cita a Enciclopédia Larousse, como segue: “Os primeiros discípulos de Cristo que o conheceram pessoalmente e ouviram seus ensinamentos, jamais alegaram que Cristo era uma das três entidades da natureza do Criador, e tampouco Pedro, um de seus discípulos, o considerava como tal; considerava-o apenas um homem inspirado por Deus. Entretanto, Paulo contrariou a convicção dos primeiros discípulos de Jesus, afirmando: Cristo era superior a um ser humano; é modelo de um ser humano novo, ou seja, um intelecto superior nascido de Deus”.78 77. Idem 78. (Enciclopédia do Século vinte, Capítulo: Trindade).

O Alcorão Sagrado considera a questão da Trindade ligada às religiões anteriores ao Cristianismo, e que o próprio Cristo (a.s.) exortava apenas a um Deus Único e Uno. Assim sendo, o Alcorão afirma: “São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria, ainda quando o mesmo Messias disse: Ó israelitas, adorai a Deus, Que é meu Senhor e vosso. A quem atribuir parceiros a Deus, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e sua morada será o Fogo Infernal! Os injustos jamais terão socorredores”.

De acordo com o Alcorão, foram os cristãos que agregaram esta teoria às crenças cristãs. Sobre isto, o Alcorão expõe: “Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus; os cristãos dizem: O Messias é filho de Deus. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso, as de seus antepassados incrédulos. Que Deus os combata! Como se desviam!”

As investigações dos antigos confirmam a veracidade desta opinião a corânica de modo claro e sem ambiguidade. Todas estas investigações e indicações históricas mostram que a teoria da trindade passou a fazer parte do Bramanismo no século VI a. C. da qual, posteriormente, resultou o Hinduísmo. 79. (Alcorão Sagrado, 5:72) 80. (Alcorão Sagrado, 9:30) Revelou-se o Deus eterno; tornou-se corpo, de acordo com os Brâmanes, segundo três aspectos: 1) Brahma – o criador, 2) Vixnu – o preservador, 3) Xiva – o destruidor. Esta trindade sagrada, hinduísta, encontra-se no museu hindu sob a forma de três caveiras unidas entre si.

O Hinduísmo esclarece isto em seus livros religiosos de acordo com o seguinte: Brahma existe desde o início da criação, ele sempre é o criador e chama-se pai. Vixnu é o preservador que os hinduístas chamam o filho que veio antes do pai. Xiva é o aniquilador, o destruidor que faz o universo voltar à sua condição inicial.

 Deste modo, esta trindade já existia no Bramanismo, bem como em outras religiões supersticiosas centenas de anos antes do nascimento de Cristo (a.s.).

 

 A TRINDADE NO EVANGELHO

Se analisarmos o próprio Evangelho, constatamos que Jesus (a.s.) não alega, em tempo algum, nada mais que ele é um ser humano inspirado por Deus. Na realidade, ele apenas disse de si mesmo que é filho de um ser humano, esclarecendo em vários versículos do Evangelho não é senão apenas um mensageiro de Deus. “Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus”.81 “Qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou”.82 “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.83 “Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus”.84 “Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”.85 No entanto, os cristãos se utilizam de uma via errônea para a prova da divindade de Jesus quanto à tradução (interpretação) de diversas passagens no 81. Evangelho de Marcos, 10: 18. 82. Evangelho de Marcos, 9 : 37 83. Evangelho de João, 17 : 3. 84. Evangelho de João, 8 : 40 85. Evangelho de João, 20 :17.

Livro Sagrado. Há duas passagens através das quais gostam de martirizar-se neste propósito.

  1. A primeira está no Evangelho de João, onde Jesus afirma: “Eu e meu Pai somos um”.

Este versículo esclarece que o propósito aqui é que Jesus fala em nome de Deus e não que ele é Deus. Jesus e Deus são unos quanto ao objetivo e não quanto à substância. Os cristãos se beneficiarão se observarem, por exemplo, novamente o capítulo 17 do Evangelho de João. Quando Jesus ora, de acordo com o que está neste Evangelho, suas palavras não deixam margem para dúvida que ele, Cristo, é servo de Deus. Como confirmação desta idéia, isto é, a idéia da unidade quanto ao objetivo e não quanto à substância, vamos olhar os vários versículos que encontramos no capítulo 17 do Evangelho de João, onde Jesus (a.s.) afirma: “Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti; porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste”.87 Há outra confirmação a respeito disso, pois, Jesus afirmou: “Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós ”.88 86. Evangelho de João, 10 : 30. 87. Evangelho de João, 17 :7-8. 88. Evangelho de João, 17:11. Esta questão sobre a unidade do objetivo repete-se outra vez no Evangelho de João 17:21-23. Em resumo, as palavras de João em 10: 30, não são uma afirmação para confirmação da divindade de Jesus, mas para expressar a união com Deus sobre o propósito, como se pode observar nos versículos precedentes do Evangelho de João. 2 - Outro texto ao que os cristãos recorrem sobre a divindade de Cristo (a.s.), é o que Jesus (a.s.) diz a Felipe : “Quem me vê a mim vê o Pai”.89 O cristão que, a partir desta frase, tem certeza da divindade de Cristo, convém-lhe perceber o seguinte versículo dito por Jesus: “O Pai, que me enviou, esse mesmo é que tem dado testemunho de mim. Jamais tendes ouvido a sua voz, nem visto a sua forma”.90 E se o cristão não se convence com isto, é possível a confirmação se se recorrer ao Antigo Testamento, no Livro do Êxodo, quando Deus diz a Moisés: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá”.91 A melhor opção para analisar o versículo: “Quem me vê a mim vê o Pai” é sob a seguinte noção: Jesus não pronunciava as palavras de Deus, mas olhar para ele (Jesus) e ouvir suas palavras seria em função da 89. Evangelho de João, 14 : 9. 90. Evangelho de João, 5 : 37. 91. Exodo, 33 : 20. presença de Deus naquele momento. Jesus (a.s.) cumpriu uma ordem de Deus; na realidade, (Jesus) não é Deus. E, ainda, o que deve ser conhecido neste versículo é: “Se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”.92 Há outros versículos aos quais o cristão recorre para confirmar a divindade de Jesus, mas todos são uma tradução errônea e expressam sua pretensão com uma leitura ou uma visão de algo que, na realidade, não existe. Basta olharmos o versículo a seguir para ver que Jesus não pregava uma mensagem nova. Vejamos suas palavras: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.93 Neste versículo, Jesus nos informa que devemos crer somente em Deus, Único e Verdadeiro; e que Jesus Cristo é apenas mensageiro enviado por Deus. Há sim, duas referências na Bíblia Sagrada sobre três seres divinos, porém, todas equivocadas quanto à melhor interpretação. 1 – A primeira referência encontramos nas palavras de Jesus aos discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.94 92. Evangelho de João,8 : 19. 93. Evangelho de João, 17 : 3. 94. Mateus, 28 : 19. Há alguns problemas nesta expressão: a) enquanto a expressão cita as três pessoas que foram acrescentas tardiamente à Trindade Cristã, não diz que estes três são parte de um ser divino, único. b) se olharmos para o mesmo evento numa outra passagem, vemos que Jesus afirma: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”.95 De onde, então, procederam estas palavras acrescidas que encontramos no Evangelho de Mateus? c) na Igreja Antiga o batismo era feito apenas em nome de Jesus, de acordo com o que é colocado por Paulo em diversas epístolas. 2 – A segunda referência pode ser encontrada na primeira parte do Evangelho de João, onde lemos: “Pois há três que dão testemunho (o céu): o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um ”.96 Em vez de esta referência ser mais evidente à Trindade Divina, os pesquisadores da Bíblia Sagrada reconheceram, no século XIX, que essas palavras, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, são inferências que não se encontram nos exemplares antigos da Bíblia. Essas palavras, de acordo com essas pesquisas, não existem nos exemplares da Bíblia Sagrada atual. Além dessas duas referências citadas, uma obscura e outra acrescida, não há nenhuma outra 95. Marcos, 16 : 15. 96. I João, 5: 7. referência de qualquer espécie que indique a Trindade. Em síntese, a idéia da Trindade no Cristianismo isto é, Deus Pai, Jesus, Filho, e Espírito Santo, como o ser que conduz os filhos dos humanos; não foi dita por Jesus e nem por outro Profeta que o precedeu. As três religiões, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã todas pregam a unicidade de Deus, Louvado seja. Moisés (a.s.) acentuou este entendimento num capítulo da Tora chamado Al-Shima, ou a doutrina judaica da fé: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHO”.97 Passados aproximadamente 1500 anos, isto foi repetido literalmente por Jesus (a.s.): “... a primeira recomendação entre todas, é: “Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”.98 Após 600 anos da morte de Jesus (a.s.), Muhammad foi enviado com a mesma mensagem: “Vosso Deus é Um só. Não há mais divindade além d’Ele”.99 O Cristianismo desviou-se da doutrina da unicidade de Deus com a doutrina da Trindade. Como Deus pode ser Uno quando se acrescenta (a esta unicidade) Jesus e o Espírito Santo? 97. Deuteronômio , 6 : 4. 98. Evangelho de Marcos, 12 : 29. 99. (Alcorão Sagrado, 2:163) Recorrendo novamente ao Evangelho de Mateus onde Jesus (a.s.) afirma: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto”.100 Cristo disse, ainda: Deus é Único, é a Ele que devemos adorar. Não há espaço para conjecturas e discursos na religião, mas é uma questão que pertence à verdade e à conduta; a religião verdadeira é uma questão de conduta e um sinal de sinceridade por parte da pessoa que tem fé.

 

Evangelho de Mateus, 4 :10. 11

A TRINDADE SEGUNDO O ALCORÃO

O Alcorão Sagrado afasta de modo absoluto a possibilidade de Deus enviar mensageiros que exortem as pessoas para adorá-los em vez de adorarem a Deus. Assim sendo, o Alcorão afirma:

“É inadmissível que um homem a quem Deus concedeu o Livro, a sabedoria e a profecia, diga aos humanos: Sede meus servos, em vez de o serdes de Deus! Outrossim, o que diz, é: Sede servos do Senhor, uma vez que sois aqueles que estudam e ensinam o Livro. Tampouco é admissível que ele vos ordene tomar os anjos e os profetas por senhores. Será que ele iria induzir-vos à incredulidade, depois de vos terdes tornado muçulmanos?”.

Nesses dois versículos há rejeição da divindade de Jesus ou de sua participação na Divindade. O Alcorão Sagrado negou a questão da trindade com argumento categórico. Conforme segue: “São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria. Dize-lhes: Quem possuiria o mínimo poder para impedir que Deus, assim querendo, aniquilasse o Messias, filho de Maria, sua mãe e todos os que estão na terra?”102 101. (Alcorão Sagrado, 3:79-80) 102. (Alcorão Sagrado, 5:17)

É certo que este versículo não faz alusão específica à trindade, mas mostra a refutação da divindade do Messias. No entanto, esta questão foi apresentada em outros versículos sob a forma de negação da trindade e, também, mostra que a divindade do Messias era apresentada sob forma de trindade e pluralidade de divindades.

“São blasfemos aqueles que dizem: Deus é um da Trindade! porquanto não existe divindade alguma além do Deus Único.”103 (Alcorão Sagrado, V, 73). Sobre este assunto, o Alcorão Sagrado apresenta dois argumentos extremamente claros e simples, como se pode constatar a seguir: os dois argumentos.

1) o poder de Deus de aniquilar o Messias.

2) que o Messias é igual às outras pessoas, alimenta-se, anda, etc.

Sobre o primeiro argumento, o Alcorão afirma: “Quem possuiria o mínimo poder para impedir que Deus, assim querendo, aniquilasse o Messias, filho de Maria, sua mãe e todos os que estão na terra? Só a Deus pertence o Reino dos céus e da terra, e tudo quanto há entre ambos. Ele cria o que Lhe apraz, porque é Onipotente”.104 (Alcorão Sagrado, V, 17).

Não há dúvida de que todos os cristãos reconhecem que o Messias é filho de Maria, e por isso, dizem: o Messias, filho de Maria. 103. (Alcorão Sagrado, 5:73) 104. (Alcorão Sagrado, 5:17) Se Jesus é filho de Maria, é imprescindível que ele seja um ser humano igual aos outros e adâmico igual aos outros adâmicos; seu viver e seu morrer estão na mão de Deus, e sob Seu poder. Deus, Altíssimo, concede a vida quando quer e Ele, o Altíssimo, o faz morrer quando quer.

Nesta circunstância, como os cristãos podem considerar Jesus como sendo Deus se não tem poder sobre si mesmo quanto à vida e quanto à morte? É de se notar que o Alcorão Sagrado dirigiu especial e completa atenção ao caráter humano de Jesus, querendo dizer que a humanidade do Messias representa o fundamento do primeiro argumento. Em função disto, o Alcorão especifica Jesus (a.s.) como sendo filho de Maria, portanto, fala de sua mãe, e de todos que estão na terra, ao afirmar que “sua mãe e todos que estão na terra”. Isto indica a característica humana de Jesus, e confirma que o Messias não é senão uma de Suas criaturas dentre os humanos e um dos que fazem parte da espécie humana, associando-se com os seres de sua espécie, de modo igual, em todas as situações.

Se o aniquilamento dos seres humanos é possível, então, o aniquilamento do Messias também é possível em função de sua natureza como um dos seres humanos.

Como, então, os cristãos o consideram Deus, se não é possível atribuir a morte a Deus? Complementando este tema, o Alcorão encerra o versículo com a frase “Só a Deus pertence o Reino dos céus e da terra”. Na realidade, é causa da determinação anterior e o seu significado é que Deus tem soberania quanto ao aniquilamento de Jesus, de sua mãe e de todos os humanos porque só a Ele pertence o Reino dos céus e da terra, e estão sob sua condução e sob Seu poder.

O significado do versículo todo é o seguinte: certamente Deus tem o poder de aniquilar o Messias e sua mãe porque Ele tem a Soberania sobre eles, sem exceção. O poder de aniquilar Jesus e sua mãe é a prova mais acentuada de que Jesus (a.s.) é Sua criatura, Louvado seja.

O segundo argumento: o Messias e os vestígios de humano. Em síntese: o caso do Messias e de sua mãe é o mesmo caso dos outros profetas: alimentam-se de comida, como qualquer outro ser humano. Afirma o Alcorão: “O Messias, filho de Maria, não é mais do que um mensageiro, do nível dos mensageiros que o precederam; e sua mãe era sinceríssima. Ambos se sustentavam de alimentos terrenos. Observa como lhes elucidamos os versículos e observa como se desviam”.105 Em função disto, não há diferença alguma entre o Messias e sua mãe, e entre ele e os outros Profetas 105. (Alcorão Sagrado, 5:75) e Mensageiros não há diferença nem discordância. Todos eles comem quando têm fome, então, recorrem à comida quando necessitam de comida. A situação do Messias e de sua mãe é esta. Não há dúvida de que o necessitar é indicativo de possibilidade e Deus está isento de necessidade e de possibilidade. Este versículo não recusa apenas a divindade do Messias, mas também a de sua mãe. Alguns versículos mostram que sua mãe estava exposta a estas questões falsas.

Notemos o que diz o Alcorão: “E recorda-te de que quando Deus disse: Ó Jesus, filho de Maria! Foste tu que disseste aos homens: Tomai a mim e a minha mãe por duas divindades, em vez de Deus? Respondeu: Glorificado sejas! É inconcebível que eu tenha dito o que por direito não me corresponde. Se o tivesse dito, tê-lo-ias sabido, porque Tu conheces a natureza da minha mente, ao passo que ignoro o que encerra a Tua. Somente Tu és Conhecedor do desconhecido. Não lhes disse, senão o que me ordenaste: Adorai a Deus, meu Senhor e vosso! E enquanto permaneci entre eles, fui testemunha deles; e quando quiseste encerrar os meus dias na terra, foste Tu o seu Único observador, porque és Testemunha de tudo”.106

Que a paz de Deus seja sobre ti, ó Jesus, filho de Maria! Tu clamas ao teu Deus com esses versículos esclarecedores pelos quais tu confirmas a Divindade 106. (Alcorão Sagrado, 5:116-117) de Deus e confirmas tua adoração a Ele. Que a paz seja sobre ti! Mostraste ao Criador que tu conclamaste os filhos de Israel para adorarem a Deus Uno e Único, Que não tem associado nem filho. Divulgou entre eles aquilo que Deus te ordenou, com sinceridade, ou seja, aquilo que está na Tora de Moisés (a.s.), e tu foste testemunha que divulgou isto a eles e foi generoso na divulgação; tu fostes testemunha vigilante até que teu Deus te levou e te elevou a Ele. Ó Jesus, possuidor de elevada posição! Este é o Messias, Jesus, filho de Maria, tal como o Alcorão Sagrado o qualificou de modo claro e com argumento único. Através de uma palavra Divina, os anjos comunicaram a sua mãe Maria que ele seria distinguido perante Deus tanto neste mundo como na Derradeira Vida e, também, seria uma dos próximos a Deus. Notemos o que segue: “E quando os anjos disseram: Ó Maria, Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os próximos (de Deus)”.107 Este Verbo é: “Sê, e foi”. Seguiu-se ao Verbo um sopro do Espírito de Deus, e o Messias (a.s.) tornou-se.

Na realidade, houve para o Messias, filho de Maria, que a paz seja sobre ambos, esta posição sublime perante seu Deus porque sua vida representou, 107. (Alcorão Sagrado, 3:45) desde seu nascimento até sua ascensão a Deus, algo singular. Seu nascimento foi por um sopro do Espírito de Deus; suas ações foram de milagres, sua morte foi ascensão a Deus para que fosse honorável tanto nesta vida como na Vida Derradeira, e dos achegados a Deus. Este é o Messias, filho de Maria (a.s.). Um ser humano Mensageiro que se distingue pela relação especial entre ele e Deus. Após sua morte, as pessoas se desentenderam quanto a ele, divergindo quanto à sua natureza e seus ensinamentos que estão reunidos no Evangelho, os quais foram ensinados aos seus discípulos e aos Filhos de Israel. Divergiram quanto à sua exortação e missão, e sobre sua morte ou sua permanência vivo.

O Imám Ali Ibn Abi Tálib (a.s.), disse: “Se desejais, contar-vos-ei acerca de Cristo, o filho de Maria. Ele utilizava uma pedra como travesseiro, vestia rudes vestes, e comia alimentos grosseiros. Seu condimento era a fome; sua candeia, à noite, era a lua; seu abrigo, durante o inverno era tão-somente a expansão territorial, em direção ao leste, a oeste, ao norte e ao sul. Os frutos, para ele, eram apenas aqueles que davam no mato, e que serviam de alimento para o gado. Não tinha esposa que o levasse a fazer coisas ruins, nem filho para lhe causar transtorno, nem riqueza que lhe desviasse (a atenção), nem cupidez que o desgraçasse. Seus dois pés eram o seu meio de locomoção, suas duas mãos, suas criadas”.108 108. Nahjul Balágha, (O Método da Eloquência, tradução Samir El Hayek), sermão 160, pág. 166. 12 –

 

A TRINDADE DE ACORDO COM O INTELECTO

Depois da análise a respeito da Trindade de acordo com o Alcorão, devemos, agora, analisar as noções intelectivas a respeito deste tema. A teologia dos cristãos afirma que a doutrina da Trindade não faz parte da análise intelectiva porque é uma questão que faz parte da adoração, pois o intelecto humano não tem condições de chegar a este tipo de percepção. Além disso, as analogias feitas a partir do mundo material impedem a concepção da realidade da Trindade porque a questão da Trindade está acima das analogias materiais. Dizem também: as experiências humanas são limitadas, finitas e Deus é uma natureza não finita, formada por três pessoas, e deve-se aceitar isto. Portanto, não há espaço para a discussão a respeito disso. Dizem, ainda: esta Trindade representa a união da natureza divina não finita.

Apesar de a pessoa de cada um e a distinção de um em relação ao outro, não há separação nem distinção de um em relação ao outro; não há entre eles associação alguma na divindade mas, cada um é Deus independente em sua essência e possui toda a divindade sozinho. Veja a clara contradição entre a pessoa de cada um, por um lado, e a falta de distinção de cada um em relação ao outro. Com base nisso, fizeram a lógica da Trindade uma lógica proibida ao intelecto. Mesmo que o mundo metafísico não possa ser analisado a partir de questões materiais, isto não significa que o mundo material é uma desordem e isento de sentido. Há para cada coisa uma analogia específica. A prova disso é que uma série de questões ligadas ao intelecto; aquelas que não aceitam discussão nem diálogo exigem, na mesma proporção, tanto o mundo material como o mundo metafísico como, por exemplo, a necessidade de uma causa para cada causado, e o princípio da não-contradição, e outros elementos que são as regras gerais do mundo material e racional. Assim sendo, se os argumentos racionais refutarem a Trindade, não haverá mais espaço para os argumentos tradicionais, mas, torna-se necessário admitir a falsidade desses argumentos e não acatá- los como sendo palavras de Deus e de Seu enviado, pois, como é possível ao mensageiro contradizer aquilo que é correto ao intelecto, particularmente quando rejeitamos os argumentos tradicionais sobre a Trindade no Evangelho?

Se você conheceu isto, é tempo de conhecermos a verdade sobre a questão do ponto de vista do intelecto. Porém, devemos conhecer primeiro o que se objetiva com a Trindade. Talvez se expressa sobre os atributos isto é, a Santíssima Trindade, porém, expõe sobre a interpretação da noção de Trindade, ou seja: a natureza divina é composta por três entidades iguais quanto à substância, isto é: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai é o criador de todos os seres por intermédio do filho. O Filho: é o salvador. O Espírito Santo: é o purificador. Apesar disso, essas três entidades têm a mesma posição e uma só tarefa. 109

Linguisticamente, entidade significa o princípio e a pessoa. Então, de acordo com os cristãos, estes três deuses têm o mesmo grau, a mesma tarefa e a mesma vontade, de acordo com o exposto. Nós nos questionamos racionalmente: o que se pretende com os três deuses? Na realidade, a Trindade tem dois aspectos e nenhum dos dois convém à divindade.

- Primeiro aspecto: que haja para cada um desses três deuses uma existência independente do outro, de modo que cada um se apresente por sua pessoa e existência própria. Do mesmo modo que há para cada um dos seres humanos uma existência própria, deve, então, haver uma existência para cada uma dessas entidades. Deve haver um princípio independente e pessoalidade própria, distinta da pessoa que lhe é semelhante. 109.

De acordo com o Dicionário Bíblico. Esta é uma visão politeísta que vigorava no tempo da Jahiliyya/ Ignorância, 110 antes do advento do Islã; época em que havia vários deuses, que se evidencia no Cristianismo com a Trindade. Mas, as provas sobre a unicidade rejeitam qualquer espécie de politeísmo. Na realidade, o estranho é que esta é uma criação dos homens da Igreja os quais defendem com ênfase uma conciliação entre a Trindade e a Unicidade ao afirmarem que “Apesar de a natureza de Deus ser Trina, Ele é Uno; e apesar de Sua natureza Una, Ele é Trino. Isto não é uma clara contradição? Por um lado, a causa desta hermenêutica não é senão o encontro com as provas da unicidade (de Deus).

Diante disto, sentiram-se, então, obrigados a reconhecer a Unicidade de Deus, Altíssimo. Por outro lado, ao aceitarem a doutrina herdada, ou seja, a doutrina da Trindade, eles a solidificaram em seus corações de tal maneira que não têm mais condições de abandoná-la. Assim sendo, reuniram a Unicidade e a Trindade, dizendo: Deus é Um em três e três em Um. Segunda visão: afirma-se que as três entidades não existem independentemente, mas, a reunião das mesmas forma a essência de Deus do universo, o Uno.

Então, nenhuma destas entidades é Deus independente, mas, é um Deus composto destas três entidades. 110. Jahiliyya. Em árabe este termo significa ignorância. Este termo é utilizado pelos muçulmanos para designar a época que precedeu o Islamismo na Península Arábica onde reinava o politeísmo.

(N.T.). Pode-se responder a esta espécie de interpretação afirmando que uma noção como esta, significa que a natureza de Deus é composta, necessita, para sua concretização e pessoalidade, de partes de sua essência, isto é, necessita dessas três entidades, pois, se estas não se unirem, não se concretiza a existência de Deus. Sob este aspecto, os deuses da Igreja e os cristãos se defrontarão com mais ambiguidades do que antes.

Por exemplo: a) Que Deus do universo necessite de outro para concretização de Sua existência, sendo cada uma dessas entidades consideradas com parte e não o todo, e aquele que necessita de outro não pode tornar-se ser necessário, mas, ser possível, criado, necessitando de alguém que o tire da possibilidade. Ou seja: por um aspecto, é necessário que a natureza dessas partes possíveis em sua existência seja criada para Deus, Louvado seja, e, por outro, é necessário que o Deus formado a partir dessas seja criado para elas.

 b) É necessário que estas partes sejam ou seres possíveis ou seres necessários. No primeiro caso, necessita-se do necessário, quero dizer, do todo, das partes possíveis. No segundo caso, é necessária a multiplicidade do ser necessário. Isto é politeísmo absoluto; não há lugar para que este Deus, Criador, seja simples, não composto de partes ou entidades. c) Sobre que na natureza divina há três pessoas e cada um possui a divindade completa, significa que para cada um deve haver existência independente apesar de afirmarem que a natureza da Trindade não aceita a divisão.

Sob outra interpretação: esses argumentos, isto é, a independência de cada entidade em sua divindade e a não aceitação da divisibilidade da natureza da Trindade, é uma contradição clara.

d) Se a pessoa do filho é Deus, ou melhor, um dos deuses, porque, então, o filho adora seu pai? É possível conceber que um Deus adore a outro Deus igual a ele, pedindo-lhe auxílio, ou que um deles se subordine ao outro, diminuindo-lhe a submissão e a adoração se os dois são deuses completos quanto à divindade? É estranho que um dos sacerdotes antigos, Agostinho, afirmar o seguinte: “Creio na Trindade porque esta é impossível”.111 É necessário, aqui, fazer uma observação importante: hoje a Trindade representa um impasse real para o Cristianismo por falta de lógica. Enfrenta também rejeição acentuada por parte de alguns segmentos cristãos importantes de vários níveis. 111. Veja comparação das religiões cristãs de Muhammad Chalabi. É o exemplo do sacerdote David Benjamim Kaldáni que se converteu ao Islamismo e passou a utilizar o nome Abd Al-Ahad Dawúd. Ele critica a Trindade com argumentos lógicos. Vejamos: “Não é possível aceitar esta Trindade como sendo o entendimento correto de Deus”. Deus não é pai de um filho bem como não é filho de um pai; não tem mãe, Ele é perpétuo, não tem início, é eterno, não tem fim.

A crença segundo a qual Deus é Pai, Deus é Filho e Deus é Espírito Santo, é uma crença herege a respeito da unicidade de Deus e reconhecimento precipitado de três seres imperfeitos, mesmo estando separados ou unidos, não é possível que sejam um Deus verdadeiro”.

Em vista deste argumento lógico, podemos passar à matemática que é um conhecimento positivo que nos ensina que a unicidade não pode ser nem mais nem menos que um, e o um não é possível que seja igual a um + um + um. De outro modo, não é possível que o um seja igual aos três porque é um terço de três. Seguindo esta mesma comparação, pode-se dizer que o um não é igual a um terço e, ao contrário, o três não é igual a um, do mesmo modo que não é possível que um terço seja igual à unidade. A unidade é base de todos os números; é parâmetro para medidas e pesos de todas as dimensões; para distâncias, para quantidades e para o tempo. Na realidade, todos os números resultam da soma da unidade. Por exemplo, o dez resulta da soma de dez unidades iguais quanto à espécie.

Prossegue com o argumento a respeito da Trindade, afirmando: “Aqueles que afirmam que a unicidade de Deus está em três pessoas, certamente querem nos dizer: cada pessoa é Deus poderoso, existente, perpétuo, eterno e perfeito. No entanto, não há três deuses poderosos, existentes, perpétuos, eternos e perfeitos. Apenas um Deus é Poderoso, caso contrário, seus atributos não seriam os aqui citados. Apresentaremos a seguir o argumento que as igrejas apresentam, ou seja: Um só Deus = um só Deus + um só Deus + um só Deus. Assim sendo, então um só Deus = três deuses? Primeiro: não é possível que um só Deus seja igual a três deuses, mas, é igual a apenas um deles.

Segundo: se você aceita que cada pessoa é um Deus perfeito igual ao que está unido a ele, então o resultado de 1+1+1=1 não é um resultado matemático, mas, é uma falta de raciocínio”. Por argumentos, ou algo semelhante, são constantes as objeções à Trindade a partir de cristãos a ponto de haver outro argumento melhor: “Não entendo em absoluto a doutrina da Trindade; no Cristianismo não há lugar para entender o que está relacionado aos segredos santificados (Sacramentos), mas, é necessário aceitar e crer naquilo que é dito a você”. Este impasse que o Cristianismo vive não fica apenas nisso, mas, o próprio Cristianismo como religião celestial não vive em seu solo; o ser humano ocidental europeu ou americano não tem, em absoluto, relação com ela. Apesar de estar à distância, afirma, há muito tempo, que a defende ou vive nela e por ela. Esta situação em si mesma revela uma crise profunda sob dois aspectos. O primeiro aspecto é o exemplo do enfraquecimento da tradição da Igreja. Esta questão cria um vazio espiritual que a experiência mostrou ser um problema que ameaça a vida humana com a destruição da mesma e não apenas com o isolamento das pessoas. Outro aspecto: o aumento das sociedades industriais e a dificuldade de sua implantação resultam em prejuízo ao ser humano no que diz respeito a um viver tranquilo e generoso. Ficou comprovado cientificamente que o esvaziamento espiritual é a primeira procedência das tragédias que aguardam o Ocidente e é a medula espinhal de todas as causas da decadência cultural. O futuro será testemunha do que estamos dizendo.

 

O MESSIAS (a.s.) FOI CRUCIFICADO?

 Para responder, vamos recorrer ao Evangelho e ao Alcorão. 1- O que diz o Evangelho a respeito disso? Primeiro: antes de tudo, é necessário apresentarmos vários argumentos a respeito de algumas crenças e textos cristãos a fim de que possamos analisar o que foi dito sobre a crucificação do Messias (a.s.). Ficará evidente que os argumentos não indicam apenas que o Messias (a.s.) não foi crucificado, indicam, porém, a negação de sua crucificação.

Primeiro argumento: a crença cristã é que após a morte, o ser humano não retorna a um corpo, mas transforma-se em alma angelical pura,113 distante de todas as exigências dos concomitantes do corpo. Veja que isto é evidenciado em várias passagens no Evangelho de Lucas. Perguntaram ao Messias: “Chegando alguns dos saduceus, homens que dizem não haver ressurreição, perguntaram-lhe: Mestre, 112. Vide o Livro Sagrado (Evangelho), Taht al- Majhar de Audah Muháwich al-Urduní. 113. A causa disso é que acreditam que o corpo é o instrumento dos pecados. É imprescindível que o ser humano saia dos instrumentos do pecado para entrar no Reino de Deus. Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém, sendo aquele casado e não deixando filhos, seu irmão deve casar com a viúva e suscitar descendência ao falecido, Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou e morreu sem filhos; o segundo e o terceiro também desposaram a viúva; igualmente os sete não tiveram filhos e morreram. Por fim, morreu também a mulher. Esta mulher, pois, no dia da ressurreição, de qual deles será esposa? Porque os sete a desposaram. Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento; mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento. Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição”.114 Como pode-se constatar, o Messias (a.s.) confirmou, de acordo com o que disse Lucas, que quando os mortos entram no Paraíso não transgridam sua natureza de almas sem corpos e sem matéria. O segundo argumento: o próprio Evangelho afirma que os discípulos abandonaram o Messias (a.s) e fugiram quando ele foi preso. Desta forma, não foram testemunhas oculares no processo da alegada crucificação, mas, ouviram dizer por intermédio de pessoas sobre a crucificação de seu Mestre, o Messias (a.s.), no madeiro. 114. Evangelho de Lucas, 20 : 27-37 Veja a história da prisão do Messias e a fuga dos discípulos: “E logo, falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e porretes. Ora, o traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança. E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou. Então, lhe deitaram as mãos e o prenderam. Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha. Disse-lhes Jesus: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; contudo, é para que se cumpram as Escrituras. Então, deixando-o, todos fugiram. Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão. Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo. E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e reuniram-se todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas. Pedro seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo. E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte e não achavam”.115 “Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote e, vendo a Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno. Mas ele o negou, dizendo: Não o 115. Marcos – 14:43-56 conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu para o alpendre. [E o galo cantou.] E a criada, vendo-o, tornou a dizer aos circunstantes: Este é um deles. Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu. Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais! E logo cantou o galo pela segunda vez. Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo em si, desatou a chorar”.116 Terceiro argumento: o próprio Evangelho declara o testemunho ocular de pessoas que viram o Messias (a.s.) vivo e não morto, após a história da crucificação. Vejamos algumas provas: a) “Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios. E, partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus, se achavam tristes e choravam. Estes, ouvindo que ele vivia e que fora visto por ela, não acreditaram”.117 b) “Depois disto, manifestou-se em outra forma a dois deles que estavam de caminho para o campo. E, indo, eles o anunciaram aos demais, mas também a estes dois eles não deram crédito”.118 116. Evangelho de Marcos 14 : 66-73 e Evangelho de Mateus 26 :34, 35 e 69. 117. Evangelho de Marcos, 16 : 9-11. 118. Evangelho de Marcos, 16 : 12-13. c) “Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado”.119 Quarto argumento: o Evangelho afirma que o Messias (a.s.) ascendeu ao céu, junto à proteção de seu Deus, Louvado seja Seu Nome, como se pode constatar: “... depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus”.120 Postos estes argumentos claros, que não aceitam refutação, resta esclarecermos que quando o Messias (a.s.) se uniu aos discípulos após a história da crucificação, tentou, segundo o próprio Evangelho, esclarecer a eles que ele não é espírito nem um fantasma que ressurgiu após a morte, mas, apenas que ele continua aquele ser humano que foi deixado sozinho após a fuga deles. Já dissemos no primeiro argumento que o próprio Messias (a.s.), de acordo com o Evangelho de Lucas, confirmou que os mortos, depois de ressuscitarem, não contrariam suas naturezas de espíritos sem corpos. Por isso, não casam e, evidentemente, não se alimentam e nem bebem. Não é possível que sejam tocados nem apalpados. Enquanto espíritos, são seres tênues que não estão sujeitos às leis da matéria nem às circunstâncias naturais que se sobrepõem aos corpos. Não necessitam de alimentos nem de bebidas, 119. Evangelho e Marcos ,16 : 14. 120. Evangelho e Marcos, 16 :19. além de sua incapacidade de alimentar-se ou de beber. De acordo com o próprio Evangelho de Lucas, suas funções são iguais aos anjos ou iguais a existências angelicais e de acordo com o que apresentamos aqui, no primeiro argumento. Acrescento a isto que o próprio Evangelho afirma que o Messias (a.s.) voltou a encontrar-se com os discípulos, e conversou com eles. Lucas afirma em seu Evangelho: “Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho, isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado [e um favo de mel]. E ele comeu na presença deles”.121 O próprio Messias (a.s.) retornou e tentou explicar que não ressuscitou. O temor, o estupor e a suposição deles que Jesus (a.s.) tornou-se espírito é falso porque ele não foi crucificado e, por esse motivo, não pode ter se transformado em espírito. Ele é o próprio 121. Evangelho de Lucas, 24 : 36-43. Messias (a.s.) que abandonaram, tentando provar a eles que se preservou e nada de prejudicial lhe atingiu. Vejamos: 1 – Disse-lhes que os espíritos não sentem porque não são de carne e ossos e ele (Jesus) é de carne e osso, pedindo-lhes que o tocassem e olhassem suas mãos e seus pés. 2 – Ele provou que não é espírito ao adotar uma postura que confirma que ele não era espírito ou aparição que ressuscitou da morte, ou seja: pediu que lhe dessem peixe e comeu diante deles. Como já afirmamos e como afirmou o Messias (A.S.), os espíritos não estão sujeitos às leis das matérias, e não necessitam de alimentação nem de algo para tomar. O conhecido sábio cristão Shwariz afirmou o seguinte a respeito disso: “Se o Messias comeu para mostrar que pode comer, mesmo não necessitando de alimentação, isto não significa que sua natureza é uma simulação e sofisma”.122 Este sábio cristão escreveu isto há cerca de dois séculos a respeito do Messias (a.s.), colocando em dúvida esta história. Deste modo, este é o testemunho de um cristão que enfatizou que Jesus (a.s.) não foi crucificado nem retornou depois de sua crucificação diante das pessoas, como espírito, e desapareceu novamente. 122. À Procura do Jesus Histórico; Shwariz, p. 64, 1819. O que chama a atenção é que Lucas também mencionou que após este episódio Jesus (a.s.) ascendeu ao céu tal como consta no Alcorão Sagrado. Esta é a crença dos muçulmanos a respeito de Jesus (a.s.), Espírito de Deus. Lucas afirmou: “… e, erguendo as mãos, os abençoou. Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu”.123 O que diz o Alcorão Sagrado a respeito da crucificação do Messias (a.s.)? O Alcorão Sagrado, o Livro de Deus Revelado, esclareceu que a história da crucificação ocorreu de fato, mas a vítima foi outra pessoa e não o Messias (a.s.). Primeiro: quem garante que ao beijar a pessoa, como sinal para dizer que era Jesus (a.s.), Judas não errou beijando outra pessoa parecida com Jesus (a.s.)? Na realidade, o próprio Evangelho lembra uma reação por parte da pessoa crucificada que exclui até a pessoa evangélica do Messias, pois, quando esta pessoa foi crucificada, gritava. Notemos o seguinte: “Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”.124 É possível que o Profeta de Deus, ou o Filho de Deus como alegam, conteste seu Deus ou seu Pai, imaginando que o abandonou e o desdenhou? 123. Evangelho de Lucas, 24 : 50-51. 124. Evangelho de Mateus, 27 : 46. E ainda: se, como alegam, Jesus (a.s.) ressuscitaria, por que, então, reclamou desta forma e discordou? É compatível que aguarde três dias para voltar outra vez e ascender aos céus? Então, é imprescindível que a pessoa crucificada seja outra, mas não o Messias (a.s.). Não há dúvida que era uma pessoa de pouca fé; não suportaria a humilhação e as adversidades, bem como não acreditava que voltaria após três dias e ascenderia à proteção de seu Deus. Quanto a quem seria este pobre crucificado, é algo que o próprio Evangelho nos informou ao dizer: “Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz. E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira, deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber. Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte... ”.125 Simão carregou a cruz (por Jesus) e o Evangelho não cita que a transferiu para os ombros do Messias (a.s.). Tudo o que o Evangelho afirma é que quando Simão chegou ao lugar da caveira foi crucificado e repartiram sua roupa. 125. Evangelho de Mateus, 27 : 32-35. Na realidade, há duas incertezas: uma delas é quando Judas imaginou que aquele homem preso poderia ser o Messias (a.s.); a outra é quando Simão carregou a cruz e não a transferiu para os ombros do Messias (a.s.). Isto ficou claro no Evangelho. O Alcorão Sagrado assinalou o seguinte sobre a questão da crucificação. Disse o Altíssimo, desmentindo os judeus que alegam ter matado o Messias (a.s.) ou que o crucificaram: “E por dizerem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o mensageiro de Deus, embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, mas o confundiram com outro. E aqueles que discordam quanto a isso estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, mas apenas conjecturas para seguir; porém, certamente, não o mataram. Mas Deus fê- lo ascender até Ele, porque é Poderoso, Prudentíssimo.” 126 Deus responde às alegações dos cristãos através desses versículos em diversos pontos: 1 – Deus, Altíssimo, rejeitou absolutamente que tenham matado Jesus (a.s.). 2 – Deus, Altíssimo, rejeitou que tenham crucificado Jesus (a.s.). Então, ninguém pode, por exemplo, dizer que o crucificou, porém, escapou da cruz. 126. (Alcorão Sagrado, 4:157-158) 3 – Aquele que foi crucificado era um homem parecido com o Messias (a.s.) e, seguramente, não era Jesus (a.s.). 4 – Os que divergiram sobre o Messias (a.s.) foram certas correntes do Cristianismo. Há entre eles dúvida quanto à crucificação. O conhecido sábio cristão Albert Schweitzer elaborou uma lista com os nomes de alguns que colocam em dúvida a questão da crucificação em seu livro: “À Procura do Jesus Histórico”. Chams Ad-Dín Ben As-Sá’ig elaborou os seguintes versículos em resposta àqueles que crêem na divindade do Messias (a.s.), ou acreditam que tenha sido morto ou crucificado: Adoradores do Messias: temos uma pergunta, Queremos a resposta de quem tem conhecimento. Se Deus morreu pela ação de um servo judeu, então, que Deus é esse? Será que o mundo ficou sem Deus, Oniouvinte, Retribuidor, a quem lhe suplica? Quem proveu a mata enquanto Ele estava morto? Quem preservou o mundo e quem o abarcou? Ele retornou vivo; Deus, ou alguém igual O sucedeu? O Messias satisfez-se passivamente com a crucificação, E ficou passivo no túmulo, ou satisfez a seu Pai? E, contrariamente, então o servo é mais forte que o que é Adorado, faz o que quiser. Aquele que entende o que dissemos, Responda ou arrependa-se daquilo ao qual agrediu. 5 – Quanto às palavras do Altíssimo “não possuem conhecimento algum”, pode ser uma indicação de que apenas um dos discípulos não estava presente no evento da crucificação. Quando eles choraram pelo Messias (a.s.), o fizeram como reação pelo que lhes foi passado pelas pessoas sobre a crucificação de Jesus (a.s.) e a partir dos soldados que disseram tê-lo crucificado. O surgimento do Messias (a.s.) após três dias, segundo eles, tal como ele era, enfraqueceu sua presunção sobre a crucificação de Jesus (a.s.), e, certamente alguns, como é o caso do Evangelho de Barnabé, estava convencido que Jesus (a.s.), não tenha sido crucificado. Por isso, a questão da crucificação e da cruz e o que se relaciona a isto em termos de presunção e contos, não é lógica. Assim também é o que vemos hoje. Os cristãos afirmam que as pessoas são pecadoras, mesmo que não cometam nenhum pecado durante sua vida e que o Messias (a.s.) foi crucificado e sacrificou-se por eles a fim de que os salve do sofrimento final. Tudo isto não tem, absolutamente, base. Marcion e os Nastiki’ín (os Gnósticos)127 não 127. Marcion, filho de Asqaf, viveu na Ásia Menor no século II. Era chefe de um grupo de cristãos e criticava muitas crenças cristãos; refutava todo o Evangelho exceto o Evangelho de Lucas. Cf. História da Igreja Antiga, p. 192. Quanto aos Gnósticos, acreditavam na existência de conhecimento espiritual que não era possível ser atingido por todos os seres humanos. Acreditavam também, que é impossível que Deus tenha corpo e que não seria possível que o Messias surgisse com aspecto humano. Cf. História da Igreja Antiga, v, 1, p. 187. acreditam no assassinato do Messias (a.s.) nem na crucificação. A crença cristã sobre o pecado original não tem lugar no Islã porque os muçulmanos crêem que o ser humano nasce inocente, puro e isento de pecados. Afirma Deus, Altíssimo, no Alcorão: “Volta o teu rosto para a religião monoteísta. É a obra de Deus, sob cuja qualidade inata Ele criou a humanidade”.128 Este versículo nos informa que Deus criou o ser humano bom e puro por natureza, inclina-se à submissão da vontade de Deus e Suas determinações. O pecado não é hereditário. É algo que o ser humano adquire quando pratica algo que não deve praticar ou quando não pratica algo que deveria praticar. A afirmação de que cada um de nós vem a este mundo carregando um pecado cometido por alguém que nos precedeu, é algo que, na realidade, significa, no mínimo, negar os atributos de Deus quanto à justiça e à clemência. Apesar de Deus ter concedido ao homem o poder de decidir nesta vida, ele é criado com disposições e poderes limitados. Forças externas, como as forças do bem e do mal, são as que formam a disposição da nossa natureza e não algo que foi praticado no passado por parte de alguém que nos precedeu. De modo geral, nós mesmos construímos nosso rumo. 128. (Alcorão Sagrado, 30:30) Esta visão procede da realidade do muçulmano que crê que Deus perdoou a desobediência de Adão. Vejamos: “Todavia, Satã os seduziu, fazendo com que saíssem do estado (de felicidade) em que se encontravam... Adão obteve do seu Senhor algumas palavras de inspiração, e Ele o perdoaram, porque é o Remissório, o Misericordiosíssimo”.129 É certo que Deus perdoou Adão e com isso removeu todo vestígio de pecado que os cristãos alegam que o gênero humano herdou de Adão. A remoção dos pecados da humanidade a partir da morte do Messias parece um entendimento não lógico e totalmente contraditório com a noção de um Deus Justo. Um Deus justo recusaria perdoar Adão e os pecados de todos os humanos posteriores a ele até a chegada do Messias? Pode-se querer um Deus justo que permita ofender e matar um de seus mais sinceros Profetas? Um Deus justo pode obrigar apenas um ser humano a pagar pelos pecados de outro ser humano? No Islã, nós não acreditamos nisto. Se a pessoa olhar esta questão pelo aspecto do amor de Deus pela humanidade, a mesma lógica se aplica ao Deus da justiça. Será que o Deus do amor castigaria todos os seres humanos até a vinda do Messias (a.s.)? Será que o Deus do amor quer a ofensa terrível e a morte para um dos mais queridos e sinceros servos? 129. (Alcorão Sagrado, 11:36-37) Nós não podemos deixar de ficar completamente atônitos com a espécie de amor que exige este preço oneroso e assustador. O Islã considera todo ser humano responsável por seus erros e pecados, e não é responsável pelos pecados de outro ser humano. Vejamos as palavras do Alcorão: “... Nenhuma alma receberá outra recompensa que não for a merecida, e nenhum pecador arcará com culpas alheias...”130 Não é possível e não se deve penalizar uma pessoa em função dos pecados de outra. Deus nos adverte que Ele absolverá ou punirá cada ser humano de acordo com o que fez sozinho durante sua vida. “Deus não impõe a nenhuma alma uma carga superior às suas forças. Beneficiar-se- á com o bem quem o tiver feito e sofrerá o mal quem o tiver cometido...” 131 130. (Alcorão Sagrado, 6:164) 131. (Alcorão Sagrado, 2:86) 14 

 

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