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Poligamia

بسم الله الرحمن الرحيم 
Em nome de Allah, O clemente o Misericordioso

A Poligamia esteve sempre presente no Mundo, em todas as épocas e nações. é um facto histórico que Gregos, Romanos, Hindús, Babilónios, Persas, Israelitas, Árabes, Africanos, etc., etc., não conheciam limites no número de matrimónios e, portanto, podiam casar com várias mulheres. Não era imposta nenhuma condição ou restrição. As esposas de um pai falecido eram divididas pelos filhos, juntamente com outra propriedade herdada, na Arábia, antes do advento do Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele), sendo usadas como esposas. O Islão limitou esta poligamia ilimitada, então em voga no mundo, restringindo-a com as seguintes severas limitações:

  1. A atitude do marido para com todas as suas quatro esposas (limite máximo) deve ser tal que não dê caso ao ódio, ciúme, insatisfação, descontentamento e frustração a nenhuma delas, resultante da injustiça, crueldade, inclinação e parcialidade por parte do esposo. A completa paz, harmonia e tranquilidade devem prevalecer no lar como resultado de um estatuto inteiramente igual de todas as esposas, em todos os assuntos, ou seja, na alimentação, vestuário, moradia, cuidados médicos, estima, conforto, tratamento geral, afeto, etc. Se o esposo não puder pôr em prática esta igualdade, não lhe é permitido casar-se com mais de uma mulher. A este respeito, o Sagrado Alcorão diz claramente:"E se receais que não podereis tratar com justiça os órfãos casai com as mulheres que vos parecerem boas para vós duas, três ou quatro. E se receais que não podereis proceder com equidade com todas casai, então, com uma somente."(4:3)
  2. O marido deve ter meios económicos suficientes que lhe permitam dar alimentação adequada, roupas, e satisfazer outras necessidades da vida a qualquer esposa.
  3. Cada uma das esposas deve ser provida com uma casa separada, ou apartamento, e o marido deve dispender igual tempo na casa de cada uma das esposas. Estas condições não têm como intuito o de proibir o homem de praticar a poligamia; são, antes, estabelecidas especialmente para salvaguardar os direitos da mulher, assegurando-lhe a justiça perfeita. Alguns críticos sustentam que existe algo de mau na poligamia, não devendo ser permitido em caso algum e sob quaisquer circunstâncias. Ora analisemos a questão: Se a poligamia é realmente má e prejudicial, então, porque é que todos os grandes patriarcas da raça hebraica, que são olhados como exemplos da grandeza moral, praticaram sempre a poligamia? Porque casou o Profeta Moisés (a.s.) com mais de uma mulher? Seria ele amoral, ou um homem sensual? (DEUS proibiu de o ser). Porque tomaram Jacob e Abarãao (a.s.), para si, mais de uma esposa? Como se podem explicar os seguintes versículos da Bíblia, senão como uma permissão explícita e definitiva da poligamia?

 "E tinha ele (Salomão) setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o seu coração." (1 Reis 11:3) "E tomou David mais concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que viera de Hebron: e nasceram a David mais filhos e filhas." (2 Samuel 5:13)

 

Examinemos a Poligamia em termos puramente racional:

Suponham que há uma guerra com a consequente dizimação da população masculina, como no caso da Europa após a Guerra dos Trinta Anos e após a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Que solução dão os partidários da monogamia para o problema da sobre população feminina, ou seja, viúvas e outras mulheres em idade de casar e, onde iriam eles arranjar maridos para todas elas? Bertrand Russel diz: "E, em todos os países, onde há um excesso de mulheres, é uma injustiça óbvia que, aquelas que, por uma necessidade aritmética, se vêm forçadas a continuar solteiras, sejam obrigadas ao afastamento de uma experiência sexual."

No caso de a mulher sofrer de uma doença crónica, que a impeça de engravidar, o homem necessita de uma outra esposa para obter filhos. Se ele divorciar-se da mulher e a abandonar à sua sorte, isso será um ato indelicado. Que deverá ele fazer? É claro que há alguns maridos que conseguem lidar com tal situação. No entanto, não se pode negar as suas potenciais necessidades. Assim, um segundo casamento, neste caso, poderá ser uma solução aceitável para as três partes.

No caso de um casamento não ter tido muito sucesso, e o marido amar outra mulher note-se que esta situação é tão familiar que é conhecida como o "Eterno Triângulo" (Triângulo Amoroso). Dentro dos parâmetros das leis Ocidentais, o marido não pode casar com uma segunda mulher sem se divorciar da primeira. Mas esta pode não querer divorciar-se. Ela pode não amar mais o seu esposo, mas pode continuar a respeitá-lo e desejar ficar com ele pela segurança do matrimónio, por ela própria e pelos seus filhos. Similarmente, a segunda esposa pode não querer dissolver a primeira família do marido. Aqui, perguntamos aos advogados da monogamia como resolvem esta questão. Há alguns casos como este, no qual ambas as esposas poderiam aceitar um casamento poligâmico, do que enfrentar o divórcio, por um lado, ou um caso extraconjugal, por outro. 

Só muito dificilmente se poderá negar que, presentemente, na maioria dos países do mundo, o nascimento de indivíduos do sexo feminino é superior ao do masculino. Como resultado, temos mais mulheres do que homens. Mesmo supondo que cada homem desposa uma mulher, teríamos um excedente de centenas de milhões de mulheres! Agora, que fazer com este excedente? Será que este excedente impede-as da experiência de uma vida matrimonial, ter filhos legítimos, serem abrigadas e cuidadas por esposos legítimos e responsáveis? Qual o pecado dessas mulheres? O Islão resolveu todos estes problemas sugerindo a única solução possível e legítima a poligamia. Provavelmente, no que respeita à mulher, o aspecto mais realçado do Islão no Ocidente é o da poligamia.

Deve tornar-se claro que o Islão não impõe a poligamia aos Muçulmanos como uma obrigação. Ao invés, ele permite aos Muçulmanos praticarem-na como a única solução para algumas situações, conforme já foi atrás referido. O próprio Profeta Muhammad (paz esteja com ele) foi monogâmico durante uma grande parte da sua vida de casado, desde a idade de 25 anos (quando desposou a Senhora Khadija [r.a.]), até aos seus 50, quando a sua esposa faleceu. Consequentemente, dever-se-á olhar a monogamia como a norma, e a poligamia como uma exceção. É óbvio que a poligamia é considerada pela população Ocidental como um infringi mento aos direitos da mulher; no entanto, praticamente todos estes monogâmicos continuam a praticar uma certa poligamia de forma sub-reptícia e clandestina, profanando, secretamente, as esposas, filhas e irmãs de outras pessoas. Cabe a vós decidir se é preferível a poligamia sub-reptícia e secreta (de profanação) praticada pelo denominado Ocidente Civilizado, com os seus problemas referentes a crianças bastardas, raparigas perdidas, peso de consciência, distúrbios mentais, lares arruinados, e dissolução de casamentos, à poligamia legal Islâmica. Será, talvez, interessante apontar aqui o ponto de vista da Senhora Annie Besant e de outros grandes pensadores em relação a esta questão:

  1. A Senhora Annie Besant afirma: "Existe uma pretensa monogamia no Ocidente, mas o que realmente existe é uma verdadeira poligamia sem qualquer tipo de responsabilidade. A amante é abandonada quando o homem se farta dela, indo-se aproximando da condição de mulher de rua, uma vez que o primeiro amante não tomou qualquer responsabilidade sobre o seu futuro, ficando ela cem vezes pior do que uma esposa cuidada e mãe num lar poligâmico. Quando vemos milhares de mulheres infelizes que enchem as ruas das cidades Ocidentais à noite, temos que, certamente, sentir que não assenta bem nas bocas Ocidentais censurar o Islão pela sua poligamia. É melhor, mais feliz e respeitável para uma mulher ser consorte de um homem só, com a criança legítima nos seus braços e rodeada de respeito, do que ser seduzida, abandonada nas ruas provavelmente com uma criança ilegítima, fora do alcance da lei, sem abrigo e sem cuidados, sujeita a tornar-se uma vítima de qualquer passante noturno, sem acesso a uma maternidade normal, desprezada."
  2. Reverendo Canon Issac Taylor, um eminente eclesiástico inglês, disse num dos congressos eclesiásticos ocorrido na Inglaterra: "Devido à poligamia, os países Muçulmanos estão livres de párias profissionais, a maior censura à Cristandade do que a da poligamia ao Islão. A poligamia estritamente regulada das terras Muçulmanas é infinitamente menos degradante para a mulher e menos injuriosa para o homem, do que a poliandra promíscua que se pratica nas cidades Cristãs e que é absolutamente desconhecida no Islão."

 

  1. R. Scott diz: "O homem é essencialmente polígamo e o desenvolvimento da civilização alastrou esta poligamia inata."

 

  1. O Dr. Mercier declara: "A mulher é, por natureza, monogâmica; o homem contém em si próprio o elemento da poligamia."

 

  1. O semanário "Record" de Lagos, de 20 de Abril de 1901, citava um artigo da "Truth" Londrina, escrito por uma dama inglesa: "O número de raparigas vagabundas aumentou, tendo causado perturbação na nossa sociedade. Como mulher, olho para estas jovens com pena. Mas, será que a minha piedade e simpatia fazem alguma coisa para modificar tal situação, ou ajudam a curar tal mal? O que Thomas disse foi excelente. Ele diagnosticou o mal e proscreveu-lhe um remédio. Afirmou que a única solução era permitir ao homem desposar mais de uma mulher, através do qual a calamidade seria erradicada, uma vez que, dessa forma, as jovens serão esposas. O postulado europeu é o seguinte: "Um homem, uma esposa", o que se revela culminante para um homem casado com uma mulher, tendo filhos ilegítimos que são a grande chaga e um grande fardo para a sociedade. Se a poligamia fosse permitida, nada disso teria acontecido. Toda a evidência estabelecida pela história e pela ciência torna claro que a poligamia devia ser olhada com mais seriedade. ... Poligamia deve ser considerada natural e legítima. Para erradicar definitivamente a poligamia, teríamos que primeiro modificar todo o carácter da nossa civilização, depois a natureza do homem e, finalmente, a própria Natureza em si!"

 

  1. O Prof. C.Von Ehrenfels de Praga, testemunha a superioridade moral das leis poligâmicas e prevê o sucesso inaudito do sistema poligâmico: "O casamento poligâmico tornou-se algo de necessário, sucedendo ao sistema monogâmico, por ser moralmente superior."
  2. Ao explanar as mentiras convencionais da civilização Ocidental, Marx Nordan sublinha: "O homem vive num estado de poligamia nos países civilizados, apesar de a monogamia ser obrigatória por lei; dificilmente se encontrará mais do que um homem de entre uma centena, que possa jurar no seu leito de morte que nunca conheceu mais do que uma mulher durante toda a sua vida."

 

  1. Havelock Ellis prossegue com a explicação da grande hipocrisia do modo de vida Ocidental: "Em mais nenhuma parte do mundo a poligamia é tão preponderante, quanto o é na Cristandade Ocidental; em mais nenhuma parte do mundo é tão fácil ao homem furtar-se das obrigações inerentes à poligamia. Podemos pensar que, se recusamos aceitar o facto da existência da poligamia, então podemos recusar o reconhecimento de qualquer tipo de obrigação decorrentes da poligamia. Ao habilitar o homem de se escapar tão facilmente das obrigações da sua relação poligâmica, estamos a encorajá-lo, acaso seja pessoa de poucos escrúpulos, de, efetivamente, não cumprir com elas; colocamos um prémio à imoralidade que tão arduamente condenamos. O homem, com letra maiúscula, não representa todos os homens. Inclui apenas aqueles que fazem fé na denominada monogamia preponderante na Cristandade, aqueles que seguem o modo de vida Ocidental e, por fim, aqueles que no Oriente e no Continente Africano imitam cegamente o modo de vida Ocidental. Por outra parte, o Ocidente tem começado a reconhecer as virtudes da poligamia conforme diz Tonybee: "Uma monogamia forçada é responsável por muitos dos males da prostituição, levando a autênticas querelas, a um ciúme intenso nas mulheres e a uma maior insistência na relação física que torna a espontaneidade e a pureza em corrupção. O natural ciúme feminino não reside no facto de o homem amar outra mulher, mas no de ele a abandonar."

 

  1. E finalmente, Dr. Le Bon advoga: "Um retorno à poligamia, a essa relação natural entre os sexos, resolveria muitos problemas como: a prostituição, doenças venéreas, sida, abortos, a infelicidade de milhões de solteiras e viúvas, resultantes da desproporção entre os sexos, e das guerras, até adultério e ciúme."

 

Conclusão: Para os Muçulmanos, a monogamia é ideal, a poligamia é a concessão a situações especiais bem como à natureza humana. Quer prevaleça a monogamia num país particular, quer durante um período, é uma questão de conveniência social e económica.

 

 

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Em nome de Allah, O clemente o Misericordioso

 

CALENDÁRIO ISLÂMICO

(Sobre o mês de Ramadhán)

O calendário islâmico é lunar e não solar, pois através do sol nunca se obtém a ciência que determina o início e mesmo o final do mês. O sol indica a determinação da duração de uma parte do dia. Assim, se define o dia período do tempo que decorre do nascer do sol de um dia ao nascer o sol do outro dia. E a composição do dia inteiro, requer a escuridão da noite e o brilho do dia. O nascer do sol, não representa nenhum sinal distinto aparente e superficial que o gênero humano possa entender, porém no aparecimento da Nova Lua  se aprecia uma forma distinta do início de cada mês lunar. Portanto, vê-se que no sistema lunar há sinais distintos que dá a percepção do início do mês, que aponta no aparecimento da nova Lua.

O sol apenas define o dia, sendo por isso que os atos rituais islâmicos estão ligados aos sinais cósmicos aparentes, nesse caso a nova lua, e depois toma-se o sol para se definir o período do dia, pois a Lua não se define o período diário. Logo toma-se o sol na definição do período do dia composto entre a escuridão da noite e do brilho do sol, e da Lua do período do Mês.

A contagem do calendário islâmico se inicia /á noite, após pôr-do-sol. Assim, também a contagem do mês do Ramadhán se inicia a noite a partir da Oração de Maghrib.

Quando a nova lua aparece anuncia-se o mês de Ramadhán, e o mesmo ocorre seu termino com aparecimento da nova Lua. Portanto o Islam instituiu as práticas devocionais RamadHanitas, ao ano lunar e não solar, pois todos os atos baseados ao calendário solar, não muda de estação de tempo, porém tudo baseado no calendário lunar se sujeita em alteração de período de estação de tempo.

Quando os meses lunares e suas estações estão sempre em mutação continuo, os períodos do tempo dos dias, e das noites seguem o mesmo sistema de mutação, para mais ou para menos, assim o mês de jejum em cada país, é presenciada em todas as estações do tempo, na Primavera, no Verão, no Outono e no Inverno, e todos os jejuadores muçulmanos têm a oportunidade de usufruir dos seus dias, bons e maus, quentes e frios.

O jejum do Ramadhán por ser um mês lunar, roda e gira calhando em todas as estações do tempo num período de trinta e cinco anos. Desta forma todos os muçulmanos conseguem experimentar o Jejum do Ramadhán em todas as estações de tempo

 

Significado do Ramadhán

A palavra Ramadhán, deriva da língua árabe, da grafia “RAMADH رَمَضُ-”, que quer dizer; Calor Extremo - ato de abafar com calor seco extremo-  - Ramdhá – Pedrinhas quentes – Isto indica a origem da palavra.

Etimologicamente o termo Ramadhán transmite o conceito de algo semelhante do significado. Pois, o jejum pode causar calor e queimaduras devido a sede. E a devoção e a dedicação nas ações devocionais islâmicos, queima os pecados de seu praticante. E através jejum se produz amor para com Criador.

Portanto, o termo Ramadhán, se refere o nono mês do calendário lunar, islamicamente conhecido como o mês das bênçãos, do perdão, da conquista e da misericórdia.

Resume-se aos fatores que agrega aos eventos de valores marcantes que mudam, e mudaram a história dos gêneros humanos ao longo de sua história natural, a ressaltar a estruturação e a manutenção do mesmo, com intuído do contexto do seu existir, conformando-lhes o reconhecimento absoluto de sua estrutura condicionada com valores de propósitos por existir.  Assim, é mencionado dentro do Livro SagradoO Ramadan, é o mês em que foi revelado o Al-Qur`án, um guia para as pessoas, com as evidencias claras de orientação e do critério...

De salientar, que esse grande mês, não se resume somente ao jejum do Ramadhán. Porém, o jejum é um dos eventos sagrado que ocorre do início ao termino do mês, além do jejum, há mais coisas acontecendo e os quais aconteceram dentro desse mês sagrado, conforme observamos a evidencias.

Um dos principais e privilegio do mês do Ramadhan, foi de que o Al-Qur`án sagrado foi revelado durante o mês, fazendo dele como o modo de vida que agrega valores humanismo para todos, independentemente de sua condição regional, político, econômico e social, pois do evento que ocorreu no Ramadhán, colocou o gênero humano ao mesmo nível sem distinção, ou seja, sua ligação padrão de gota seminal, da desenvoltura, e ao pó. Pois através do alcorão sagrado, a mante do gênero se desenvolveu de modo criterioso, a optar as coisas de forma clara descritível com códigos mapeáveis, tangíveis com argumentos compatíveis aos fatos dos atos em manifestos.  

 Do mês do Ramadhán, um reflexo do resumo da missão do gênero humano, onde vivencia-se de tudo como um todo, porém de forma consciente e submissa. Da literatura Alcorânica, da ligação dos seres, e do reconhecimento dos gêneros, forma-se uma base com único significado. Assim o profeta Muhammad, (swa) enfatizava a natureza durante este mês.

    

O Jejum do Mês do Ramadhán

 Deus Altíssimo disse no Alcorão Sagrado:“Ó crentes, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito aos vossos antepassados, para que temais a Deus.” (2:183).

O jejum é uma prática antiga e recorrente na história dos povos. Deus não deixou nenhum povo sem instituir-lhe o jejum. Nós não encontramos no Alcorão Sagrado uma especificação quanto à natureza desse jejum prescrito aos antepassados e suas regras. Porém, encontramos um texto a respeito do jejum no que Deus nos revela a respeito de Zacarias (a.s.): “Disse-lhe: Teu sinal consistirá em que não fales com ninguém durante três dias, a não ser por sinais” (3”41) e disse para Maria (a.s.): “Se vires algum humano, faze-o saber que fizeste um voto de jejum ao Clemente, e que hoje não poderás falar com pessoa alguma” (19:26).

 

Sobre o Jejum

No mundo real, o homem não é o único ser jejuador. Todas as criaturas vivas passam por um período de jejum, mesmo tendo excesso de comida na natureza ao seu redor. Os animais jejuam, os insetos jejuam, e mesmo as plantas jejuam. Dentre os animais, há aqueles que hibernam por dias ou meses seguidos, deixando de se movimentar e se alimentar. Dentre as aves, há aquelas que permanecem no ninho sem se alimentar em estações específicas, a cada ano. Alguns peixes enterram-se no fundo do oceano ou do rio por um período específico, sem se alimentar.Os insetos, também, se abstêm do alimento.

É curioso saber que essas criaturas, quando saem do jejum, estão com mais energia e vitalidade. O animal renova a pele e o pêlo. O pássaro adquire novas penas, começando a se acasalar e a cantar. Os insetos saem para comer e se multiplicar rapidamente. Todas essas verdades fizeram os naturalistas considerar o jejum um fenômeno natural e benéfico para o organismo. Isso significa, na linguagem científica, que o jejum é necessário para a vida humana e sua saúde, como o alimento, a respiração, o movimento e o sono. A respeito disso, o Mensageiro de Deus (SAW.) disse: “Jejuai, que tereis saúde.” E disse, ainda: “O ser humano não enche uma vasilha menos do que o seu estômago, pois o homem necessita de pouco alimento para fortalecê-lo. Quando a pessoa se alimentar, deve reservar um terço para o alimento, um terço para a água e um terço para si mesmo.” Há muitos ditos em que os médicos de toda a humanidade demonstram a importância do jejum, principalmente quanto à saúde, uma vez que o estômago é o berço das doenças.

Com isso define-se o jejum, uma espécie de tratamento. É como se a pessoa ingerisse trinta comprimidos, uma vez por ano, para fortalecer o estômago e filtrar o sangue, revigorando os tecidos do corpo. Deus diz a verdade quando afirma: “Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade” (2:185). O jejum não traz benefícios orgânicos para a pessoa, apenas, mas traz grandes lições de ordem social e até econômica.

Do jejum emprega-nos ao modo disciplinar, um fenômeno para a igualdade entre os seres humanos; da fome, da paciência e da sede, praticada tanto pelos economicamente possuem a facilidade de sustendo, como por aqueles que não possuem essa facilidade.

Manfaluti, em seu livro “As Especulações”, escreveu: “Passei na noite de ontem por um homem pobre e aflito e, ao vê-lo colocando a mão sobre o estômago, como se estivesse sentindo dores, fiquei com pena dele. Perguntei o que ele sentia e ele se queixou da fome. Aliviei-o, dando-lhe o que podia para se alimentar. Deixei-o e fui visitar um amigo rico. Fiquei surpreso ao vê-lo com a mão no estômago, queixando-se das mesmas dores que o pobre se queixava. Perguntei o que ele sentia e ele se queixou do estômago

Disse: bom seria se aquele rico desse para o pobre o que sobra de seu alimento. Assim, nenhum dos dois se queixaria de dor alguma.” Por isso o ditado sempre diz a verdade: “O estômago do rico é uma vingança da fome do pobre.”

Não é possível imaginar que o homem é homem até vê-lo praticando caridade, pois não se vê diferença, organicamente falando, entre o ser humano e o animal além da prática do bem. Quanto a esse aspecto, as pessoas podem ser classificadas em quatro tipos:

1.O tipo que faz bem aos outros para aproveitar a sua prática para si mesmo (ou seja, obter benefício próprio). É o déspota opressor, que nada conhece da prática do bem além de escravizar as pessoas;

2. O tipo que pratica o bem para si mesmo e não o pratica aos outros. Esse é o ávido e voraz, que deveria saber que é impossível que o sangue líquido se transforme em ouro concreto e mate, por ele, todas as pessoas;

3. O tipo que não faz o bem nem para si, nem para os outros. Esse é o avarento insensato, que faz o estômago passar fome para aumentar o seu caixa;

4. O tipo que faz o bem para si e para os outros. É difícil classificá-lo. Talvez seja aquele a quem o filósofo grego, Diógenes, procurava. Quando foi perguntado por que ele caminhava com a sua lamparina acesa durante o dia, respondeu: “Estou à procura de um homem.” Por isso, vemos o Príncipe dos Crentes, Ali ibn Abi Tálib (a.s.), orientando-nos para esses magníficos valores, ao dizer: “Se eu quisesse, teria tomado o caminho que me levaria aos (prazeres deste mundo como) puros néctares, boas sementes e roupas de seda; mas não é possível que minha paixão me leve a essas coisas e que minha gula me leve a escolher bons alimentos, enquanto no Hijaz ou em Iamama ( pequenos vilarejos da antiga arabia)  talvez haja pessoas que não têm esperanças de obter um pão, ou que não têm uma refeição completa.

Dentre os objetivos principais do jejum está adquirir temor a Deus.

O temor é uma longa e difícil ação disciplinar que necessita de exercícios. O jejum é uma escola divina para se temer a Deus. O temor é a colheita do mês do jejum, sim. O temor é um dos elementos que movimentam os corações, que conduzem à pratica e à obediência a Deus, ao desejo de satisfazê-Lo e à ambição de alcançar o Paraíso. O temor evita os corações de corromperem o jejum com a desobediência. O temor é um dos objetivos procurados pelos crentes com suas almas. O jejum é um dos caminhos de obtê-lo.Ele limpa da fronte do crente as fadigas da vida, realizando o equilíbrio entre a matéria e o espírito, impulsionando-o para um local digno.

O temor, que emana tanto do coração como da língua, o temor que invade os sentimentos, as vontades, os órgãos e as asas. O temor, que cria no coração do crente a confiança e a convicção, fazendo-o viver numa situação segura.

“Ó crentes, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito aos vossos antepassados, para que temais a Deus.” (2:183).

A expressão “para que” no versículo acima tem o sentido de preparação para o temor a Deus, obedecendo-O, observando-O e respeitando-O. Isso é representado pelo jejum. O crente se abstém, num tempo determinado, dos desejos do corpo e das suas necessidades, convicto de que se não fosse a observação de Deus quando se priva dos desejos, não teria paciência de se abster, ao ver as dádivas de Deus na forma de alimento e bebida na sua frente. Ele, porém, não os consome, apesar de sua necessidade. Ele se abstém em obediência a Deus, para se aproximar d’Ele e pedir-Lhe a magnífica recompensa.

 Aquele que comete o ilícito, enquanto estiver jejuando, sem dúvida que o jejum não causa nenhuma influência nele. Quem jejua e comete o pecado não pode ser incluído entre os que temem a Deus. O Profeta (S.) disse: “É nulo o jejum da pessoa que se priva apenas da comida e da bebida.”

E disse: “É nula a vigília de quem só aufere com a sua vigília a falta de sono.” E disse: “Ao jejuar, devem jejuar contigo a audição, a visão e a língua de pronunciar calúnia; deves evitar prejudicar o vizinho e atuar com calma e serenidade.

Não deves igualar entre o dia em que jejuas e o dia de deixar de fazê-lo.” Um anônimo disse: “Se a minha audição não jejuar, Nem minha visão, nem a minha língua, A minha sorte do jejum, então, é a fome e a sede. E mesmo que diga que jejuei, não o fiz.” Portanto, é dever do jejuador utilizar os seus órgãos como via para obter o temor a Deus.

Peçamos a Deus que, do alto de Sua magnânima generosidade, nos faça vestir o manto do temor a Ele, que nos oriente para a felicidade e

5 - O jejum (saum) é prescrito como obrigação religiosa para todos os muçulmanos e muçulmanas – exceto crianças – durante o mês do Ramadhán.

 

 

بسم الله الرحمن الرحيم 
Em nome de Allah, O clemente o Misericordioso

Esclarecimento de dúvidas e interrogações sobre o Islam
por: M. Yiossuf Mohamed Adamgy

Uma das bases fundamentais do Islão, citada claramente no Alcorão, é a liberdade religiosa. Diz o Livro Sagrado na Surata 2, versículo 256: "Não há imposição quanto à religião". Por tal motivo, o Islão submete a questão da crença e da incredulidade à vontade e à satisfação do ser humano. Diz o Alcorão na Surata 18, versículo 29: "Quem quiser crer, que creia e quem quiser negar-se a crer, que não creia".

O Alcorão revela esta questão com clareza ao Profeta Muhammad, paz esteja com ele, ao dizer-lhe que a parte que lhe toca é comunicar a mensagem de Deus à Humanidade e que ele não tem nenhum poder para converter as pessoas ao Islão, já que a verdadeira conversão provém de Deus. Na surata 10, versículo 99, diz Deus: "Poderás, por acaso, obrigar as pessoas a serem fiéis?"; na surata 88, versículo 22, diz: "Não és, de maneira alguma, guardião deles" e, na surata 42, versículo 48, diz: "E se porém desdenharem, não te enviamos para seu guardião. A ti só te está incumbido a proclamação". Tudo isto assegura que o Alcorão recusa-se, de forma definitiva, a obrigar as pessoas a converterem-se ao Islão. Por essa razão é que o seu servo durante os programas de Esclarecimento de Conceitos, nunca disse: Convertam-se ao Islão! Podemos informar sobre a verdade do Islão; comunicamos os seus ensinamentos, mas não fazemos proselitismo. A pessoa é quem, de forma voluntária, aceita o Islão. Não podemos coagi-la; nem oferecer-lhe ensinamentos de salvação automática, nem sequer a pressionarmos a aceitar o Islão.

O Islão definiu o método que os muçulmanos deverão seguir para divulgar o Islão, que é a sabedoria e a boa exortação. Diz o Alcorão na surata 16, versículo 125: "Chama para o caminho do teu Senhor através da sabedoria e através de uma boa exortação, convencendo-os da melhor maneira". Diz também na surrata 2, versículo 83: "Fala com o próximo da melhor maneira". A este respeito podem ser citados do Alcorão mais de 120 versículos que chamam a atenção de todos para a divulgação do Islão através do conhecimento, da sabedoria e do respeito pela liberdade humana em aceitar ou recusar a religião.

Depois de conquistar Meca (ár. Makkah) e atingir o triunfo definitivo, o Profeta Muhammad, libertou todos os presos e não obrigou ninguém a acreditar no Islão ao dizer-lhes: Ide. Todos sois livres.

Não se conhece, em toda a história do Islão, que os muçulmanos tenham obrigado ninguém, cristão ou judeu, a adotar o Islão.

Prova disto é a primeira constituição disposta pelo Profeta Muhammad (saw.) depois de ter emigrado para Medina, na qual refere que os judeus compõem uma parte da sociedade da Medina em conjunto com os muçulmanos e que os primeiros têm direito a permanecer fiéis à sua religião.

Também o segundo Califa, Omar B. Khattab (r.a.), ao entrar em Jerusalém, estabeleceu um convénio de segurança com os cristãos, em que confirma que estes, as suas igrejas e as suas cruzes estão seguros e não devem ser obrigados a deixar a sua religião. Prova disto é que as Igrejas cristãs na Terra Santa mantiveram-se intactas.

Mahatma Gandhi, o herói da independência da Índia, escreveu:

"Os muçulmanos nunca caíram na arrogância, mesmo nos tempos de maior grandeza e triunfo. O Islão acalenta a admiração pelo Criador do mundo e das suas obras. Quando o Ocidente vivia um período de terrível escuridão, a resplandecente estrela do Islão, que brilhava a Este, trouxe luz, paz e alívio ao nosso mundo sofrido. O Islão não é uma religião falsa. Quando os hindus estudarem esta religião com o devido respeito, irão sentir também a mesma simpatia que eu sinto para com o Islão". E continua. "Cheguei à conclusão de que a rápida expansão do Islão não se realizou por força da espada. Pelo contrário, deveu-se, sobretudo, à sua notável simplicidade, à sua lógica, à grande modéstia do seu Profeta, ao seu escrupuloso respeito das promessas realizadas, à sua ilimitada devoção para com os muçulmanos, ao seu carácter intrépido, à sua falta de medo, à sua absoluta confiança em Deus e à sua própria missão. Estas qualidades, e não a espada, foram as que permitiram vencer todos os obstáculos".

Um muçulmano deve tratar o não-muçulmano de forma amável e deve apenas evitar travar amizades com os que tenham animosidades contra o Islão. No caso de esta animosidade causar ataques violentos contra a existência dos muçulmanos, isto é, em caso de guerra contra eles, então, os muçulmanos devem responder com justiça, tendo em consideração a dimensão humana da situação. Todas as formas de atrocidades, atos desnecessários de violência e agressão injusta estão proibidos no Islão.

Noutro versículo, Deus adverte os muçulmanos contra isto e explica que a raiva sentida contra os inimigos não deve ser motivo para se cair em atos injustos: "Vós que sois crentes! Sede perseverantes na causa de Deus e prestai testemunho com equidade. E que o ódio que possais sentir contra os demais não vos leve ao extremo de não serdes justos. Sejais justos! Isso está mais próximo da piedade e temei a Deus, pois Ele conhece bem tudo aquilo que fazeis." (Alcorão, 5:8)

A palavra Islão provém da raiz árabe Salam, que significa paz e o Alcorão condena a guerra como um estado anormal de situações opostas à vontade de Deus.

O Islão não justifica uma guerra totalmente agressiva ou de extermínio, uma vez que o Islão reconhece que a guerra, em certas situações, é inevitável e que, algumas vezes, é um dever positivo provocado pelas opressões e pelo sofrimento. O Alcorão ensina que a guerra deve ser limitada e conduzida da forma mais humana possível. O Profeta Muhammad (p.e.c.e.) não teve apenas que lutar com as pessoas de Meca, como também com algumas tribos judaicas da região, bem como com algumas tribos cristãs na Síria que planearam uma ofensiva contra os muçulmanos. Mas isto não levou o Profeta Muhammad (p.e.c.e.) a denunciar o Povo do Livro (judeus e cristãos) ou a guerrear contra todos, apenas se limitou a defender-se das tribos atacantes. Os muçulmanos viram-se forçados a se defender, não estavam a executar uma guerra santa contra a religião dos seus inimigos. Quando Muhammad (p.e.c.e.) mandou Zaid como líder do exército muçulmano na guerra contra os cristãos, disse-lhe: guerreiem pela causa de Deus, valentemente, mas façam-no de forma humana. Não devem molestar sacerdotes, religiosas, monges, nem sequer civis frágeis ou pessoas inaptas para a guerra. Não deverá existir um massacre de civis, como também não deverá ser cortada uma única árvore nem nenhum edifício poderá ser destruído.

Depois disto, foi ditada uma aclamação do Profeta Muhammad (p.e.c.e.), válida até ao final dos tempos, de larga tolerância para com as religiões, especialmente para com os judeus e cristãos, os que são chamados de "Ahl al kitab", o Povo do Livro; dizer que o Alcorão fomenta o terrorismo é um erro perigosíssimo e faz jus ao terrorismo, que é uma minoria violenta, existente na história e nos tempos presentes em todas as religiões.

No caso do Islão, condenamos o terrorismo venha este de onde vier; mas aqueles que dizem o contrário, estão a justificar teologicamente o terrorismo islâmico e invalidam a grande maioria de muçulmanos pacíficos como nós. Desta forma, outorgam de forma incorreta uma base Alcorânica do terrorismo, que os converte em cumpridores da religião islâmica e os 99.99% dos muçulmanos pacíficos ficaríamos desacreditados de uma forma incorreta.

Uma tremenda ousadia, mas também um tremendo erro!

*texto originalmente publicado como editorial da Clacso por Emir Sader, secretário executivo da Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais

 

بسم الله الرحمن الرحيم 
Em nome de Allah, O clemente o Misericordioso

Por: M. Yiossuf Adamgy

Quando o ser humano é guiado pela inspiração e pelos verdadeiros incentivos religiosos, automaticamente, gera dentro de si o desejo de fazer o bem, usando, deste modo, a mais alta moral e um carácter exemplar.

Estes incentivos, convencem o seu possuidor que a religião, na sua forma mas básica, é carácter e comportamento. E é esta conduta justa que traz a felicidade tanto nesta vida como na outra. A este incentivo chamamos consciência.

As leis humanas exigem um elevado nível de comportamento mas carecem de meios para incentivar a sua colocação em prática. Tais leis, apesar de promoverem a moral, são incapazes de motivar a consciência, já que esta atua por si mesma. As leis devem fazer finca pé na moral e os seus princípios devem basear-se na sua aplicação.

"A moral sem religião é desnecessária". Para qualquer líder religioso sincero, a religião deve cultivar o carácter e criar uma sociedade virtuosa, em que não haja desigualdade, pobreza, divisão ou fraqueza.

Deus diz no Sagrado Alcorão: "E ajudai-vos uns aos outros na virtude e no temor (a Deus), não na desobediência nem na transgressão" (5:2).

Omar (r.a.), o segundo Califa do Islão, depois da morte de Muhammad (s.a.- w.), ordenou que as ruas estreitas de Medina se mantivessem livres da obstrução que os mercadores provocavam com as suas mercadorias, para permitir que as pessoas pudessem transitar livremente por elas. Apesar desta ordem, um mercador continuou a vender as suas mercadorias na rua. Ao ver isto, Omar golpeou o feirante pela sua desobediência. Durante as noites seguintes, quando Omar tentava dormir, a sua consciência torturava-o devido ao seu comportamento e não o deixava conciliar o sono. Depois de muitos dias de remorsos, Omar procurou o feirante e pediu-lhe desculpa pelo seu comportamento. Ao escutar as suas desculpas, o feirante disse: "Já o tinha esquecido", ao que Omar contestou: "Tu pudeste esquecê-lo mas Omar não pôde".

Outro acontecimento ilustra esta consciência altamente refinada: quando o governador de Homs renunciou ao seu cargo, durante o Califado de Omar, perguntaram-lhe a razão da sua demissão. O governador respondeu: "Temo a ira de Deus por ter-me dirigido a uma cristã, sob minha responsabilidade, dizendo-lhe: "Que a ira de Deus caia sobre ti"."

Estas duas histórias demonstram o que a religião pode trazer a uma sociedade que goza de um alto grau de consciência e quão positivo é o papel que desempenha na construção de uma sociedade sã e justa. Esta ideia não se limita só ao Islão, mas também inclui todas as religiões reveladas que dão ênfase ao culto da consciência.

O Sagrado Alcorão diz: "Aquele que tem êxito é quem se purifica a si mesmo e recorda o nome do Seu Senhor e reza. Mas vós (ó incrédulos) preferis a vida deste mundo, apesar da vida do outro mundo ser melhor e mais duradoira!”(87:14 -19).

A realidade da fé em Deus é acreditar que Ele está conosco, estejamos onde estivermos e que Ele nos observa e está à nossa volta, em todos os momentos e em todas as nossas ações.

Deus diz no Sagrado Alcorão: "Em qualquer situação em que vos encontrardes, qualquer parte do Alcorão que recitardes, seja qual for a tarefa que empreenderdes, seremos Testemunha quando nisso estiverdes absortos ..." (10-61 ).

E também: "Não reparas em que Deus conhece tudo quanto existe nos céus e na terra? (Sagrado Alcorão, 58-7).

Assim o ser humano é responsável por todos os seus assuntos, sejam públicos ou privados, incluindo até os seus mais íntimos pensamentos: "Quer manifesteis o que vai dentro de vós mesmos, quer o oculteis, Deus pedir-vos-á contas disso" (Sagrado Alcorão, 2-284).

O Profeta Muhammad (s.a.w.) disse mais sobre a respeito disto: "Adora a Deus como se O visses, porque ainda que O não possas ver, Ele, sim, vê-te a ti".

Por isso se deve procurar levar uma vida com uma consciência alerta, que aumente a compaixão e proíba a opressão, que guie e não desvie e que mostre o caminho até à verdade e à bondade.

Uma tradição do Profeta Muhammad (s.a.w.) descreve este caminho da seguinte maneira: “Deus dá o exemplo de um caminho reto limitado a duas paredes, nas quais há portas abertas, cobertas por véus. No início do caminho há uma pessoa a chamar para esse caminho reto e avisando que não se desviem dele, admoestando aqueles que se sentem tentados a tirar os véus que cobrem as portas, que se o fizerem se encontrarão dentro delas". Muhammad (s.a.w.) continuou, dizendo: "O caminho reto é o Islão, as portas abertas são as proibições estabelecidas por Deus, e os espaços entre as paredes, as margens que Deus permite. O sinal que há no início do caminho representa o Sagrado Alcorão e o que está no caminho é a consciência de cada crente. Quem seguir este caminho, será um exemplo de pureza, castidade e conduta justa".

O Profeta (s.a.w.) também disse: "Todas as criaturas dependem de Deus, e a mais apreciada por Deus, é aquela que é mais benéfica para estas".

Diz-se que era uma vez um pastor do deserto, que tinha estado nesta escola que dá vida à consciência do homem e que Abdullah ibn Omar lhe pediu que sacrificasse um cordeiro para ele, mas o pastor negou-se. A sua razão era que o dono do rebanho o tinha autorizado a dar a estranhos apenas o leite do rebanho, não a alimentá-los com a sua carne. Abdullah disse-lhe então que lhe pagaria pelo sacrifício do cordeiro e que o pastor poderia dizer ao dono que este tinha sido devorado pelos lobos. Ao ouvir isto, o pastor gritou: Então, onde está Deus? Onde está Deus?... Muitas vezes.

Este pastor tinha-se submetido à sua própria consciência, inclusive antes de ter de se enfrentar com o seu patrão e em última instância a Deus. Isto aconteceu assim porque ele tinha compreendido perfeitamente os ensinamentos do Profeta Muhammad (s.a.w.):"Peçam contas a vós mesmos antes que venham pedi-las, e avaliem as vossas obras antes que sejais avaliados por elas".

É a religião que cultiva essa consciência, como no caso do pastor, quem, apesar da ausência do seu patrão, se manteve fiel à confiança que nele tinha sido depositada. O Sagrado Alcorão diz: "Com certeza que criamos o homem e sabemos o que a sua alma lhe sussurra e estamos mais perto dele que a sua veia jugular" (50:16 ).

Na verdade, há duas consciências: uma aparente, que é conhecida por toda a gente e é susceptível de cometer erros, e uma consciência superior, esta última é a consciência das religiões reveladas, que não pode errar por estar vinculada com o seu Criador. A religião diz que cada ser humano possui uma tendência inata para o bem; sem dúvida, esta natureza inata requer um mestre, ou um jardineiro, pois é o mesmo que acontece a uma semente que é plantada na terra e que requer água e fertilizante para germinar, cedo ganha raízes, cresce e floresce, convertendo-se logo em árvore, grande e cheia de frutos e sombra para que outros possam beneficiar dela.

Este é o caso da consciência do ser humano, que floresce quando é alimentada com as águas da observação e da obediência, das leis e ordens do Omnipotente Criador.

A prova disso encontra-se na tradição de Muhammad (s.a.w.) que diz: "Por acaso não há no coração do homem um ouvido que escuta os conselhos dum anjo que lhe promete tudo de bom e confirma a verdade e também o sussurro de um demónio que lhe promete o mal e proíbe a piedade? Quem escutar o conselho angelical deve saber que vem do seu Senhor e que exige a sua gratidão; e quem escutar o segundo, deve saber que este provem da negligência perante o seu Senhor e por isso deve pedir-Lhe perdão".

O Islão educa a consciência para que o ser humano seja cuidadoso nas suas ações, no seu comportamento para com as pessoas e com as outras criaturas de Deus.

Muhammad (s.a.w.), o último Mensageiro de Deus, narrou a história de duas mulheres:

A primeira entrou no Inferno por maltratar um gatinho ao qual prendeu, não alimentou, não permitiu que se alimentasse pelos seus próprios meios, até que morreu de fome.

A segunda mulher, apesar de ser uma prostituta, foi perdoada e foi para o céu graças a um cão sedento que encontrou lambendo a terra à procura de água, perto de um poço. Ao ver as tentativas desesperadas do cão, sentiu que a sede que afligia o cão era a mesma que a afligia a ela, assim desceu ao poço, saciou a sua sede e encheu os sapatos de água para saciar a sede do cão.

O Profeta Muhammad (s.a.w.) pregou o critério da crença e da conduta correta através da seguinte tradição: "Se vos sentis felizes com as boas ações que realizais e infelizes com os maus atos que cometeis, deveis saber que sois crentes".

Este critério pode apenas ser entendido num ambiente de consciências cultivadas. Sem dúvida, o Islão não se fica por este ponto, mas pede ao ser humano que vá mais além, dirigindo-se até um ponto em que seja capaz de reconhecer os direitos dos demais e de ajudar aqueles que estão oprimidos.

O Sagrado Alcorão diz: "Ó vós que credes! Sede firmes em estabelecer a justiça dando testemunho de Deus, mesmo que isso seja contra vós mesmos" (4:135).

O Profeta Muhammad (s.a.w.) disse: "há três atributos, que se se encontrarem num homem farão com que a sua fé seja completa: dá caridade apesar da sua extrema pobreza, espalha a paz pelo mundo e respeita os direitos das pessoas sem necessidade da mediação de um juiz". Sob quaisquer circunstâncias, é nossa responsabilidade educar e polir as nossas consciências.

Deus diz no Sagrado Alcorão: "...o ouvido, a vista e o coração, cada um deles, será interrogado". (17:36 ).

Como conclusão, pode-se dizer que o verdadeiro ser humano é aquele em que se tenha estabelecido uma fé verdadeira e forte, e no qual habita, no fundo do seu coração, a verdadeira consciência. Essa pessoa respeitará a lei e preocupar-se-á com a sociedade, com a sua estabilidade e estrutura e com a harmonia entre as pessoas. Uma sociedade sem consciência não conhece a paz e não existe consciência sem fé.

Que a paz esteja com todos nós

 

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