A Eutanásia

09 Janeiro 2015 Autor:  

بسم الله الرحمن الرحيم 
Em nome de Allah, O clemente o Misericordioso

 

 A Eutanásia no ISLAM

 

Os sábios muçulmanos de todas as escolas jurídicas do Islam, são unânimes em dizer que a eutanásia "ativa" e "passiva", é equivalente ao suicídio, que está proibido no Islam.

Está proibido para um paciente matar-se a si próprio, assim como matar a alguém, apesar de contar com o consentimento do paciente. O primeiro caso não é mais que um caso de suicídio, enquanto que o segundo é arrebatar a vida de alguém.

A eutanásia "ativa" refere-se a dar uma injeção mortal ao paciente, enquanto a eutanásia "passiva" tem a ver com uma atitude negativa adotada com o objetivo de acelerar a morte para o paciente; este último pode ser realizado através da interrupção ao paciente de água, alimento, medicamentos ou outros procedimentos cirúrgicos.

Os juristas e os sábios do Islam também consideram que é proibido matar um paciente para impedir a propagação de uma infecção, mesmo se tratando de doenças incuráveis tais como a AIDS (HIV /SIDA) ou a Neumonía Atípica, pois tais pacientes, em todo o caso, podem ser submetidos a quarentena.

Acima de tudo, todos estes pacientes são seres humanos e devesse-lhes providenciar alimentação e medicamento, até ao seu último alento. No entanto, os sábios estão de acordo sobre a licença de desligar as máquinas que mantêm a vida de um paciente em caso da sua morte clínica. Estas máquinas ajudam os pacientes a respirar e a manter a irrigação sanguínea; mas se estão mortos clinicamente e perderam todos os seus sentidos devido a um dano cerebral, não tem sentido manter o apoio dessas máquinas, devido, também, ao alto custo que essas máquinas têm, e pelo benefício que podem ter para outros pacientes.

O Islam permite, em alguns casos, que se cesse com as medidas que prolongam a vida artificialmente, pois não se trata de aferrar-se a ela. Quando a vida chega a um fim, há que aceitar, com satisfação, a morte. Não se deve, por isso, prolongar a vida a todo o custo, quando a ciência e a razão não vêm perspectiva alguma. O Islam proíbe toda a classe de eutanásia. A vida é um dom divino, que deve-se proteger e cuidar o máximo possível. O fim da vida é determinado só por Deus. « …Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na terra, será considerado como se tivesse assassinado toda a Humanidade. E quem salvar uma vida, será considerado como se tivesse salvo toda a Humanidade». (Alcorão, 5: 32).

A medicina paliativa considera inelutável a morte, mas os partidários da eutanásia têm perdido o sentido médico do morrer. Deus enviou uma orientação e umas leis divinas e humanas para o ser humano desde o Profeta Adão até ao Profeta Muhammad (p.e.c.e.) onde a vida é o dom mais apreciado. O Sagrado Alcorão, a Última Escritura Divina, que é, hoje, a constituição espiritual, social e política de uma quinta parte da humanidade, manifesta enfaticamente: O ser humano não deu vida a si próprio, a vida foi dada por Allah, o Criador. Allah proporciona amor e alimentação cuidadosa a toda a existência no universo (inclusive os seres humanos) … . "Louvado seja Allah – Senhor de todos os Seres". O ser humano é o último e mais nobre elo de corrente no processo de evolução criativa na terra. Deus fez uma dádiva cuidadosa e prolongada para ele, criando-o. Por conseguinte, o ser humano não só deve comer e beber para viver simplesmente um momento curto na terra e extinguir-se para sempre. Tem uma vida em que a forma presente da vida humana desaparece para assumir uma, todavia ainda mais alta, como recompensa às nossas boas ações. Uma tradição do Profeta Muhammad (p.e.c.e.) narra a história de um dos seus companheiros, que estava com uma dor dolorosa pelas lesões recebidas no campo de batalha, e que perdeu amor a vida e se matou. O Profeta do Islam foi enfático em afirmar que: "Apesar dos grandes feitos demostrados por esse homem, lamentavelmente, num só ato desperdiçou todos os seus serviços na causa de Allah e está condenado ao inferno". Por este dito, é evidente que o suicídio é absolutamente proibido no Islão.

No Islão se outorga um grande respeito pela vida humana. O Sagrado Alcorão afirma que "os seres humanos são os mais nobres de todas as criaturas” (2:30). A vida humana é considerada inviolável, e, por isso, «não será tomada uma vida que Allah tornou sagrada, por nenhuma causa». «Quem matar, intencionalmente, um crente, seu castigo será o inferno, onde permanecerá eternamente. Deus o abominará, amaldiçoá-lo-á e lhe preparará um severo castigo». (Alcorão, 4:93).

 ÉTICA MÉDICA ISLÂMICA

Apresenta-se, resumidamente, o que diz o Código Islâmico de Ética Médica, um importante documento elaborado pela Organização Islâmica de Ciências Médicas e aprovado na 1ª Conferência Internacional de Medicina Islâmica, realizada no Kuwait, em 1981 (13).

Ao traçar o perfil do médico islâmico, este jura "proteger a vida humana em todos os estágios e sob quaisquer circunstâncias, fazendo o máximo para libertá-la da morte, doença, dor e ansiedade". No elenco das características do médico, é dito que ele deve saber que a "vida é de Deus (...) dada somente por Ele (...) e que a morte é a conclusão de uma vida e o começo de outra. A morte é uma verdade sólida (...) e é o fim de tudo, exceto de Deus”.

Na sua profissão, o médico é somente um soldado da vida (...) defendendo-a e preservando-a da melhor forma que pode ser feita e com o máximo de sua habilidade. O papel do médico é o de ser um catalisador através do qual, Deus, o curador, preserva a vida e a saúde. O médico é simplesmente “um instrumento de Deus para aliviar as doenças do povo”.

Ainda no Código Islâmico de Ética Médica, sobre o valor da vida humana e eutanásia: "A vida humana é sagrada (...)” e não deve ser tirada voluntariamente, exceto nas indicações específicas de jurisprudência islâmica, as quais estão fora do domínio da profissão médica. O médico não tirará a vida, mesmo quando movido pela compaixão. O médico, na defesa da vida, é aconselhado a perceber os limites, e não transgredi-los. Se fica cientificamente certo que a vida não pode ser restaurada, então é uma futilidade manter o paciente em estado vegetativo, utilizando-se de medidas heroicas de animação ou preservá-lo por congelamento ou outros métodos artificiais. O médico tem como objetivo manter o processo da vida e não o processo do morrer. Em qualquer caso, ele não tomará nenhuma medida para abreviar a vida do paciente. Declarar uma pessoa morta é uma responsabilidade grave que em última instância é do médico. Ele apreciará a gravidade do seu diagnóstico e o transmitirá com toda a honestidade, e somente quando estiver certo disto. Ele pode dirimir qualquer dúvida buscando conselho e servindo-se dos modernos instrumentos científicos.

Em relação ao paciente incurável, o médico fará o melhor para cuidar da vida, prestará bons cuidados, apoio moral e procurará livrar o paciente da dor e aflição.Resumindo a posição islâmica em relação à eutanásia: a concepção da vida humana como sagrada, aliada a "limitação drástica da autonomia da ação humana", proíbem a eutanásia, bem como o suicídio. O médico é um soldado da vida. Os médicos não devem tomar medidas positivas para abreviar a vida do paciente. Se a vida não pode ser restaurada é inútil manter uma pessoa em estado vegetativo utilizando-se de medidas heroicas.

ONZE ARGUMENTOS CONTRA A EUTANÁSIA

1 - A eutanásia legal favorece um "declive escorregadio" contra o direito à vida em outros campos. Em países como a Holanda a eutanásia não se aplica já doentes, mas simplesmente a pessoas que não querem viver, como o senador socialista octogenário Brongersma, que pediu e conseguiu ser "finalizado", não porque estava doente ou deprimido, mas porque estava cansado de viver. Estima-se que na Holanda são deixados para morrer cerca de 300 bebés, por ano, por nascerem com deficiência e há casos (neste país rico) de negar muletas a maiores de 75 anos; a eutanásia favorece outras performances de "eliminação de inúteis".

2 - A eutanásia piora a relação médico-paciente e até mesmo paciente-família. Existe algum espaço para os doentes, idosos ou deficientes, continuarem a manter essa confiança completa em todos aqueles que, até agora, têm tido, por quase sagrada, a obrigação de buscar a cura dos seus males? Quem vai impor à vítima em potencial a obrigação de confiar no seu carrasco? Quem pode devolver ao doente o seu sentido de confiança na profissão médica? E como confiar que o médico se vai esforçar pela minha vida se os meus parentes pressionam em sentido contrário?

3 - A eutanásia desencoraja o investimento em cuidados e tratamentos paliativos da dor. De 1995 a 1998, a Holanda apenas investiu em cuidados paliativos; só a partir de 1998 tem invertido em cuidados paliativos, mas apresentado sempre como uma alternativa mais, sendo a eutanásia a mais apoiada por instituições e até mesmo pela sociedade. Tendem a pensar que tratar a dor com os cuidados paliativos é caro, para promover a opção mais barata: matar o paciente.

4 - A eutanásia perverte a ética médica que desde Hipócrates se centrou na eliminação da dor, não na eliminação do paciente. “Os médicos insistem que a eutanásia, como o aborto, não são atos médicos, uma vez que o objetivo da medicina é curar, e se não pode curar, pelo menos, atenuar a dor e, em qualquer caso, atender e acompanhar”. A eutanásia não cura nada. Os médicos que entram numa mentalidade eutanásica incorporam-na em toda a sua profissão e esquecem os ensinamentos de Hipócrates. Como os políticos italianos, lembraram ao falar de eutanásia em crianças na Holanda é significativo que o primeiro regime que estabelece a eutanásia desde o velho paganismo romano é a Alemanha nazi.

5 - A eutanásia não é solicitada por pessoas livres, mas quase sempre por pessoas deprimidas, mental ou emocionalmente transtornadas. "Pedem livremente" a eutanásia as crianças "sacrificadas" nos países que defendem esta prática? Não têm maturidade para fazer este ato e liberdade. Mas muitos adultos tampouco, porque o pedem com doenças mentais ou emocionais. Quando se está sozinho, idoso, doente, paralisado após um acidente, é fácil sofrer de ansiedade e depressão que levam a querer morrer. Num país em que os terá- peutas se esforçam para curar esta depressão, dar de volta a vontade de viver, quase sempre se consegue se o ambiente ajuda. Pelo contrário, num país com eutanásia, em vez de se esforçar para eliminar a depressão tende-se a eliminar o deprimido, "porque ele pede".

6 - A eutanásia não é um direito humano, não é referida em nenhuma Convenção Americana ou Europeia dos Direitos Humanos, por exemplo. De acordo com o Tribunal Europeu de Direitos Humanos no caso de Diane Pretty em 2002, não há direito de buscar a morte, seja com uma terceira pessoa ou com a ajuda das autoridades públicas. O direito à autonomia pessoal não excede o dever dos Estados de proteger a vida dos indivíduos sob a sua jurisdição.

7 - A eutanásia, como o suicídio, é contagiosa. Uma vez que uma pessoa deprimida comete suicídio, outras pessoas deprimidas ao redor podem copiar o seu comportamento mais facilmente. Isto é verdade em suicídios com ou sem assistência, incluindo a eutanásia.

8 - A eutanásia dificulta o empenho dos terapeutas que trabalham com pessoas com deficiência, deprimidos, doentes. Pessoas que ajudam as outras a viverem, com uma deficiência grave ou circunstâncias difíceis, veem o seu trabalho sabotado pela outra opção, a eutanásia, que legalizada surge, com atrativa insistência, como um caminho mais fácil para o paciente.

9- A eutanásia tenderá a eliminar os pobres e mais fracos. Como o aborto, a eutanásia tenderá a ser especialmente acessível e promovida entre as classes economicamente mais fracas, os grupos étnicos em desfavorecidos, etc. ... Quando deixar-se de haver a oferta de cuidados paliativos, estes passarão a ser um luxo só para as pessoas com poder de compra.

10 - A eutanásia legal não impedirá as eutanásias ilegais, mas reforçá-las-á. Como no caso do aborto, aprovar uma lei permitindo a eutanásia "com todos os controlos que for preciso" não impedirá que se estenda a fraude de lei, as autorizações por escrito sem examinar o paciente, o laxíssimo na aplicação da lei e a fraude de lei generalizada.

O caso holandês mostra que não houve controlo dos 2.000 casos denunciados, conforme observou, com indignação, a Comissão da ONU de Direitos Humanos. No entanto, o melhor argumento contra a eutanásia será sempre o testemunho de milhares de homens e mulheres em circunstâncias muito difíceis que, apoiando-se mutuamente, com a ajuda de seus valores, de seus familiares, amigos ou profissionais que demonstram, todos os dias, que a dignidade humana os leva a viver e enriquecer a vida de outros.

11- A eutanásia viola todas as leis divinas, desde o Profeta Adão até ao Profeta Muhammad (p.e.c.e.). A Torá, o Evangelho e o Alcorão são contra esta prática monstruosa, facilista e desnecessária, que limita a existência humana ao plano puramente material. A doença e a dor educam-nos e preparam-nos para o mundo espiritual. Finalmente, quero dizer que para enfrentar com este novo ídolo do materialismo e da sociedade de consumo, é necessário o Diálogo e a Aliança entre Civilizações e Culturas. Todos nós, que recebemos uma herança espiritual, nos recusamos a aceitar o caminho do hedonismo de sair deste mundo quando queremos, como argumentava o filósofo grego Epicuro, quem afirmava que "podemos sair desta vida como saímos do teatro". A vida do ser humano é multidimensional, somos corpo, alma e espírito. A dor e a doença que nos leva, inevitavelmente, à morte, não é mais que uma transição, uma mudança de estádio e de dimensão. Na realidade não há morte, porque o espírito do ser humano é tão eterno como o seu Criador. A vida dos seres humanos neste plano material é um momento na eternidade e não devemos levá-la para fora deste mundo, sem que o nosso Criador Infinito e Sábio o tenha determinado.

Se alguns seres sofrem mais dor do que outros, antes de deixar este mundo, é porque Deus quer medir a nossa determinação, paciência e carácter; e porque Ele quer livrar-nos noutro mundo de dificuldades mais graves e insuportáveis. Esta lição é destinada a pessoas saudáveis e doentes, e todos somos obrigados a estudar os desígnios do Criador.

Os Muçulmanos acreditam que há uma vida além da morte e que existe um juízo de responsabilidade – Juízo Final – e também acreditam que há uma justiça divina.

Por todas as razões acima expostas, é extremamente importante a revisão global de todas as  Assembleias das Repúblicas do mundo, assumirem a responsabilidade histórica na defesa da vida, em defesa dos direitos humanos e em defesa dos livros sagrados. Pois, nada é considerável na melhoria em adoção, que não seja a do divino.

Se hoje estivessem reunidos conosco os grandes mestres construtores da civilização como Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad diriam um NÃO contundente a esta pseudocultura da morte e a este novo ídolo que nos quer impor o materialismo e o monoteísmo do mercado.

 

SOBRE A MORTE

«Toda a alma provará o gosto da morte; e vos provaremos com o mal e com o bem; e a Nós retornareis». — (Alcorão, Sura Al-Anbiya’, 21:35).

Todos nós temos a certeza de que esta vida findará, o que leva muitas pessoas a questionarem-se sobre o que ocorrerá após a morte. De um ponto de vista fisiológico, todos nós sabemos, como é evidente, o que acontece. Segue-se uma série de consequências naturais: o coração deixa de bater, os pulmões suspendem a respiração e cada célula do corpo, privada de sangue oxigenado, deixará de funcionar, durante breves instantes, de maneira anaeróbica, o que gerará o ácido láctico, a causa do rigor mortis, o endurecimento dos músculos do cadáver.

Portanto, quando as células começam a descompor-se, a rigidez muscular desaparece, a pele muda de cor e o cadáver é devorado por parasitas, permanecendo apenas os ossos e os dentes. Mas não podemos testemunhar o que acontece à alma após a morte e quanto a isso os cientistas não podem apresentar respostas porque, até mesmo quando se trata de pessoas vivas, a alma não pode ser objeto de observação empí- rica, pois, isto está além das nossas capacidades. Então, é nestes momentos que devemos relembrar os conceitos da vida após a morte – a ressurreição e o Dia do Juízo Final – bem como estar cientes da existência de Um Criador Omnipotente, dos seus anjos, da sua predestinação, sendo que tudo isto faz parte da fé no que é invisível.

 

حَسْبِيَ اللّٰهُ لا إِلَـهَ إِلاَّ هُوَ عَلَيْهِ تَوَكَّلْتُ وَهُوَ رَبُّ الْعَرْشِ الْعَظِيمِ

Deixe seu comentário

Instituição Religiosa, para passar as informações ao público que pertence religião e aos curiosos, buscando dar mais informações de forma laica e democrática.

Mais sobre nós

Manavgat escort Kirklareli escort Burdur escort Aksaray escort Kars escort Kastamonu escort Adiyaman escort Erzincan escort Usak escort Sinop escort Bayburt escort Bilecik escort Karaman escort Edirne escort Amasya escort Dilovasi escort Nurdagi escort Karatas escort Beydag escort Bahcelievler escort Bafra escort Dosemealti escort İnegol escort Puturge escort Hendek escort